Paulo quis dizer que a vida que conhecemos agora não vai durar pra sempre. Por isso, as decisões do cristão não devem ser guiadas como se casamento, dinheiro, alegrias ou dificuldades fossem a coisa mais importante e definitiva da vida. Tudo isso importa, mas precisa ser vivido à luz do que permanece: nossa relação com Deus e nosso serviço a Cristo.
O contexto ajuda a entender por que Paulo disse isso. Em 1 Coríntios 7, ele responde a perguntas sobre casamento e vida de solteiro. Também menciona uma situação difícil que aqueles cristãos estavam enfrentando (versículo 26), sem explicar exatamente qual era. Nesse cenário, ele aconselha que ninguém pense que precisa mudar de condição — casar, deixar de casar ou alterar sua situação de vida — antes de poder servir a Deus.
Então Paulo diz que os casados devem viver “como se não fossem casados”, os que choram “como se não chorassem”, e os que compram “como se nada possuíssem” (versículos 29–30). Ele não está mandando alguém abandonar o cônjuge, esconder a tristeza ou deixar de comprar o que precisa. No mesmo capítulo, Paulo trata o casamento com seriedade. Seu ponto é outro: mesmo as coisas boas e necessárias não devem ocupar o lugar que pertence a Deus.
Pense no casamento, por exemplo. Quem é casado deve amar e cuidar do cônjuge. Mas não deve agir como se essa relação fosse tudo o que existe, a ponto de deixar a obediência a Cristo sempre pra depois. O mesmo vale pro dinheiro: podemos comprar e usar o que precisamos, sem tratar aquilo que possuímos como nossa segurança definitiva.
Paulo explica o motivo no versículo 31: a forma atual deste mundo está passando. Isso não é uma previsão de que Jesus voltaria dentro de um número específico de anos. É um chamado pra viver com a consciência de que o presente não é permanente. Não sabemos quanto tempo teremos, nem quando Cristo voltará (Mateus 24:36, 44).
Assim, “o tempo se abrevia” não significa viver em pânico, nem abandonar responsabilidades. Significa não adiar a fidelidade a Deus. Podemos servi-lo na situação em que estamos: cuidando bem das pessoas, tomando decisões sábias, vivendo de modo que o agrade e falando de Cristo quando temos oportunidade. Para Paulo, a brevidade do tempo muda nossas prioridades — não elimina nossa vida cotidiana.