“Naqueles dias” se refere aos dias de grande perigo sobre os quais Jesus acabara de falar. Ele avisou que, quando os moradores da Judeia vissem o sinal mencionado em Mateus 24:15, deveriam fugir sem demora. Em seguida, lamentou especialmente a situação das mulheres grávidas e das que estivessem amamentando. Fugir nessas condições seria ainda mais difícil (Mateus 24:16-20).
Então, a expressão não é um nome especial pra um período. Ela aponta, de maneira simples, pra aqueles dias de aflição e fuga. Pouco depois, Jesus diz que haveria uma grande tribulação e volta a falar de “aqueles dias” ao explicar que eles seriam abreviados (Mateus 24:21-22).
A dúvida maior é *quando* isso aconteceria. Parte dos cristãos entende que Jesus estava falando, ao menos em primeiro lugar, da destruição de Jerusalém pelos romanos, ocorrida no ano 70. Essa leitura leva em conta que o aviso é dirigido a quem estivesse na Judeia. Também observa que, no relato paralelo de Lucas, Jesus fala de Jerusalém cercada por exércitos e da necessidade de fugir (Lucas 21:20-24).
Outros cristãos entendem que Jesus estava descrevendo uma tribulação ainda futura, ligada à manifestação do “abominável da desolação” mencionado por Daniel e aos acontecimentos anteriores à sua volta (Mateus 24:15, 29-30). Nessa interpretação, “naqueles dias” aponta especialmente pra fase mais intensa dessa tribulação. Alguns relacionam esse período a sete anos, mas Mateus 24:19, por si só, não informa essa duração. Há ainda quem entenda que a destruição de Jerusalém foi um cumprimento inicial do aviso e que as palavras de Jesus também apontam pra acontecimentos futuros.
Assim, seja qual for a interpretação adotada sobre o cumprimento da profecia, o sentido da expressão no versículo é claro: Jesus estava falando dos dias de sofrimento em que fugir seria urgente. O que se discute não é o significado de “naqueles dias”, mas se esse aviso se cumpriu no primeiro século, se aponta pra uma tribulação futura ou se envolve os dois momentos.