Em Apocalipse 4:8, João descreve uma cena de adoração diante do trono de Deus. Os seres que ele vê chamam Deus de santo e todo-poderoso e o reconhecem como aquele que era, é e há de vir. Com essas palavras, eles mostram que Deus não está limitado à nossa curta passagem pelo tempo.
Deus *era*: antes de nós existirmos, ele já existia. Ele não começou a viver em algum momento. O Salmo 90:2 fala de Deus como aquele que existe desde antes da criação e para sempre. Deus *é*: ele continua presente e agindo agora. O Deus que criou o mundo não ficou no passado. E Deus *há de vir*: o futuro também está nas mãos dele. Ele virá para cumprir o que prometeu e estabelecer plenamente seu governo.
Essa última expressão merece atenção. João não diz apenas que Deus existirá no futuro, embora isso seja verdade. Ao dizer que ele há de vir, aponta também pra sua ação futura. Mais adiante, Apocalipse apresenta a esperança de que Deus acabará com o mal e habitará com seu povo (Apocalipse 21:3-4). Por isso, a frase fala tanto da existência eterna de Deus quanto da certeza de que ele levará seus planos até o fim.
É por isso que ela aparece numa cena de adoração. Nós mudamos, envelhecemos e não sabemos o que acontecerá amanhã. Deus não depende de ninguém pra existir, não deixa de ser quem é e não perde o controle daquilo que prometeu. Chamá-lo de “aquele que era, é e há de vir” é reconhecer que podemos confiar nele em qualquer tempo — e que ele é digno de adoração não só pelo que faz por nós, mas por quem ele é.