*Inclusio* é o nome dado a um jeito de organizar um texto: o autor apresenta uma ideia no começo de uma passagem e volta a ela no final. Essa repetição ajuda o leitor a perceber que tudo o que está entre esses dois pontos faz parte do mesmo assunto.
Um exemplo fácil de ver está no Salmo 8. Ele começa e termina louvando a grandeza do nome do Senhor (Salmo 8:1, 9). Entre o começo e o fim, o salmista fala das obras de Deus e se admira com a atenção que ele dá aos seres humanos. Ao voltar ao louvor inicial, ele mostra como quer que entendamos o salmo inteiro: a criação e o cuidado de Deus nos dão motivos pra adorá-lo.
A repetição nem sempre usa exatamente as mesmas palavras. Às vezes, é uma ideia que aparece nas duas pontas do texto. No Evangelho de Mateus, por exemplo, o início apresenta Jesus como aquele por meio de quem Deus está conosco (Mateus 1:23). No fim, Jesus promete estar com seus discípulos (Mateus 28:20). Essa ligação ajuda a perceber a importância da presença de Jesus ao longo do livro. É uma relação de tema, não uma frase repetida palavra por palavra.
Perceber uma *inclusio* pode ajudar bastante na leitura da Bíblia. Quando uma passagem retoma no final aquilo que disse no começo, vale olhar com atenção pro que está no meio: ali o autor desenvolve a ideia que quis destacar. Mas nem toda repetição é uma *inclusio*. É preciso observar se o começo e o fim realmente se relacionam e se essa ligação ajuda a entender a passagem.
Em poucas palavras, *inclusio* é uma maneira de dizer ao leitor: “Leia esta parte como um conjunto; a ideia que aparece no começo e no fim ajuda a entender tudo o que está entre eles.”