Um pária é alguém que as outras pessoas rejeitam ou evitam, como se não tivesse lugar entre elas. A palavra não aparece na Bíblia, mas a Bíblia fala de pessoas tratadas dessa maneira. E mostra algo importante: Jesus não desprezava quem era deixado de lado.
Na antiga Israel, por exemplo, certas doenças de pele faziam com que uma pessoa fosse considerada *cerimonialmente impura*. Isso não queria dizer que ela fosse mais pecadora do que as outras. Significava que, enquanto aquela condição persistisse, ela não podia participar normalmente da vida da comunidade e da adoração. Levítico 13 descreve como o sacerdote examinava a pessoa e, em determinados casos, ela precisava morar fora do acampamento. Se a condição desaparecesse, poderia ser examinada de novo e voltar ao convívio.
A exclusão era dolorosa, mesmo quando havia uma regra religiosa envolvida. Por isso, o encontro de Jesus com um homem que tinha uma dessas doenças é tão marcante: Jesus o tocou e o curou (Mateus 8:1-3). Ele não tratou aquele homem como alguém sem valor.
Jesus também se aproximou de pessoas rejeitadas por outros motivos. Comeu com cobradores de impostos e com pessoas chamadas de “pecadoras”, embora isso provocasse críticas (Marcos 2:15-17). Conversou com uma mulher samaritana, apesar da separação que existia entre judeus e samaritanos (João 4:7-26). Aproximar-se delas não significava dizer que toda escolha delas estava certa. Significava que nenhuma delas estava além do alcance da sua atenção e do chamado para se voltar a Deus.
Essa acolhida aparece também na formação da igreja. Antes, os gentios — pessoas de outros povos — estavam separados das alianças dadas a Israel. Por meio de Cristo, porém, judeus e gentios que creem nele têm acesso ao mesmo Pai e pertencem ao mesmo povo de Deus (Efésios 2:11-18). Ninguém precisa ter a origem ou a posição social “certa” pra ser recebido por ele.
Então, o que um cristão deve fazer diante de alguém tratado como pária? Não repetir a rejeição. Deve tratar essa pessoa com dignidade, amor e verdade, e anunciar o evangelho sem escolher quem merece ouvi-lo. Isso não exige aprovar tudo o que alguém faz. Exige lembrar que nós mesmos dependemos da misericórdia de Deus, não de uma suposta superioridade sobre os outros (Tito 3:3-7).