Ser empático é perceber o que outra pessoa está sentindo e tentar compreendê-la. Quando alguém conta que perdeu uma pessoa querida, por exemplo, você não precisa ter passado pela mesma perda pra reconhecer a dor dela, ouvir com atenção e oferecer ajuda.
A palavra *empata* costuma ser usada de dois jeitos, e é aí que surge a confusão. Às vezes, ela descreve apenas alguém muito sensível aos sentimentos dos outros. Nesse sentido, é uma maneira de dizer que a pessoa tem bastante empatia. Em outros casos, “empata” significa alguém que teria a capacidade especial de sentir literalmente as emoções alheias, perceber “energias” ou saber o que outra pessoa guarda dentro de si. Essa segunda ideia vai muito além da empatia comum.
A Bíblia nos incentiva a cuidar de quem sofre. Romanos 12:15 ensina os cristãos a se alegrar com quem se alegra e a chorar com quem chora. Gálatas 6:2 fala em ajudar uns aos outros a carregar seus fardos. Isso envolve prestar atenção, ouvir e oferecer ajuda concreta. Não exige nenhuma capacidade misteriosa.
Ao mesmo tempo, sentir intensamente o clima de uma conversa não significa saber com certeza o que se passa dentro de alguém. Podemos notar uma expressão, ouvir o tom de voz e até perceber que a pessoa parece abatida. Mas também podemos nos enganar. Ela pode estar triste por um motivo diferente do que imaginamos. Por isso, muitas vezes, o cuidado mais sábio é perguntar e ouvir, em vez de afirmar que já sabemos o que ela sente. O princípio de 1 Coríntios 2:11 nos lembra que não temos acesso direto ao interior de outra pessoa.
Também vale ter cuidado com a ideia de que nossos sentimentos, por si só, revelam a verdade. Eles são reais e importantes, mas não são infalíveis. Se alguém diz que percebe “energias” ou conhece as intenções escondidas dos outros por um poder especial, essa afirmação não deve ser confundida com o ensino bíblico sobre compaixão.
Então, ser empático é algo bom: é procurar entender e ajudar as pessoas com amor. Já ser um “empata”, no sentido de possuir poderes para sentir ou conhecer o interior dos outros, é uma afirmação diferente, que a Bíblia não ensina.