O copeiro era o funcionário que servia bebidas ao rei, especialmente vinho. Mas não era apenas alguém que enchia a taça. Como lidava com aquilo que o rei ia beber, precisava ser uma pessoa de confiança e tinha acesso frequente a ele. Em algumas cortes, o copeiro também podia verificar a bebida antes de servi-la, por causa do risco de envenenamento.
Dois relatos bíblicos ajudam a entender por que esse cargo era importante. O primeiro é o de José. Enquanto estava preso no Egito, ele conheceu o copeiro do faraó e explicou um sonho que esse homem havia tido. José disse que, em três dias, ele voltaria ao seu trabalho — e foi o que aconteceu. José pediu que o copeiro falasse dele ao faraó, mas o homem se esqueceu. Dois anos depois, quando o faraó teve sonhos que ninguém conseguia explicar, o copeiro se lembrou de José e falou dele ao rei (Gênesis 40:1–23; 41:1–14). Isso mostra que o copeiro podia ter uma oportunidade de falar diretamente com o governante.
Outro exemplo é Neemias, copeiro do rei persa Artaxerxes. Quando soube que os muros de Jerusalém estavam em ruínas, Neemias ficou triste. O rei percebeu sua tristeza durante o serviço e perguntou o que havia acontecido. Neemias então pediu permissão para ir a Jerusalém e ajuda para a viagem e a reconstrução. O rei atendeu aos seus pedidos (Neemias 1:11; 2:1–8).
Assim, quando a Bíblia diz que alguém era copeiro, não está falando só de quem servia vinho. Era um funcionário próximo do rei, num cargo que exigia confiança. Essa proximidade também explica por que um copeiro podia, em certas ocasiões, levar um assunto importante até ele.