Um arcebispo é, em geral, um bispo que tem responsabilidades sobre uma região maior e exerce alguma forma de liderança entre outros bispos. O que ele faz exatamente varia conforme a igreja. Há arcebispos, por exemplo, nas tradições católica, ortodoxa e anglicana.
A Bíblia não menciona o cargo de arcebispo nem manda as igrejas nomearem arcebispos. Esse modo de organizar a liderança surgiu depois da época dos apóstolos. Por isso, a pergunta não é se existe um arcebispo no Novo Testamento — não existe —, mas se as igrejas podem criar uma função como essa para organizar seu trabalho.
O Novo Testamento fala de *anciãos* e *supervisores*, termo que também pode ser traduzido por *bispos*. Em Tito 1:5-9, Paulo orienta Tito a nomear anciãos nas cidades e, ao descrever as qualidades desses líderes, usa também o termo supervisor. Em Atos 20:17, 28, Paulo chama os anciãos da igreja de Éfeso e lhes diz que o Espírito Santo os fez supervisores do rebanho. Essas passagens dão uma razão importante para entender que, naquele contexto, “ancião” e “supervisor” descreviam os mesmos líderes, vistos por aspectos diferentes: sua maturidade e sua responsabilidade de cuidar da igreja.
Isso não significa que toda tradição cristã organize suas igrejas da mesma forma. Igrejas que mantêm bispos e arcebispos entendem que essa estrutura pode ajudar a cuidar de muitas comunidades e a preservar a unidade entre elas. Já muitas igrejas evangélicas entendem que o modelo mais claro no Novo Testamento é o de igrejas locais cuidadas por anciãos ou pastores, com o serviço dos diáconos (Filipenses 1:1; 1 Timóteo 3:1-13). Por isso, não consideram necessário criar um cargo acima desses líderes.
Então, a distinção é simples: o arcebispo é um cargo histórico de algumas igrejas cristãs, não um cargo estabelecido expressamente pela Bíblia. Quem defende sua existência pode apresentá-lo como uma maneira de organizar as igrejas; não como uma ordem direta de Jesus ou dos apóstolos. E, qualquer que seja a estrutura adotada, seus líderes precisam ensinar de acordo com as Escrituras e cuidar das pessoas, em vez de usar sua posição para dominá-las (Tito 1:9; 1 Pedro 5:2-3).