Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que é o torahismo? Cristãos precisam seguir a Lei de Moisés?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

Página original no site

O torahismo é o nome usado para uma corrente ligada ao Movimento das Raízes Hebraicas. Sua ideia principal é que quem crê em Jesus deve continuar obedecendo à Torá — os cinco primeiros livros da Bíblia — como regra para sua vida. Isso costuma incluir a guarda do sábado, as leis sobre alimentos e as festas dadas a Israel.

A dúvida importante não é se a Torá tem valor. Ela é parte da Palavra de Deus. A questão é se a aliança que Deus fez com Israel por meio de Moisés continua obrigatória para os seguidores de Jesus. O Novo Testamento responde que não. Jesus inaugurou a nova aliança; por isso, não seguimos a Lei de Moisés como condição para pertencer ao povo de Deus (Hebreus 8:6-13).

Isso não significa que Jesus tenha desprezado a Lei. Ele disse que veio cumpri-la, não anulá-la (Mateus 5:17). A Lei ensinava sobre a santidade de Deus, mostrava o pecado humano e preparava o caminho para Cristo (Gálatas 3:23-25). Os sacrifícios, por exemplo, apontavam para a necessidade de perdão; Jesus ofereceu o sacrifício decisivo. O sacerdócio da antiga aliança dava acesso a Deus por meio de sacerdotes; agora Jesus é o sacerdote por meio de quem nos aproximamos de Deus (Hebreus 7:23-27; 10:11-14).

Uma pergunta ajuda a entender a diferença: quando pessoas que não eram judias passaram a crer em Jesus, os apóstolos exigiram que elas guardassem a Lei de Moisés? Em Atos 15, essa questão foi discutida diretamente. A decisão foi não impor a elas a Lei como um todo. Paulo também combateu a ideia de que a circuncisão — um sinal importante da aliança com Israel — fosse necessária para alguém ser aceito por Deus. Nossa aceitação diante dele vem pela fé em Cristo, não pela obediência à Lei de Moisés (Gálatas 2:16; 5:2-6).

Por isso, um cristão não precisa guardar o sábado, seguir as regras alimentares de Israel ou celebrar as festas judaicas para estar em paz com Deus. Paulo orienta os cristãos a não se deixarem julgar por questões de comida, bebida ou dias religiosos (Colossenses 2:16-17). Isso também não torna errado, por si só, alguém descansar no sábado ou conhecer e até celebrar uma festa bíblica. O problema é apresentar essas práticas como obrigação para todos, ou como medida de quem é realmente fiel a Jesus. Da mesma forma, celebrar o Natal ou a Páscoa cristã não torna automaticamente alguém pecador.

Também é preciso tomar cuidado para não tratar todas as pessoas associadas ao torahismo como se cressem exatamente nas mesmas coisas. Algumas correntes rejeitam a Trindade ou a adoração a Jesus; outras não. Essas ideias precisam ser avaliadas separadamente. A questão da identidade de Jesus é especialmente séria: o Novo Testamento o apresenta como mais do que um mestre ou apenas um Messias humano (João 1:1-3, 14; 20:28).

Então, viver sob a nova aliança não é viver sem direção moral. Jesus manda seus discípulos amarem a Deus e ao próximo, e os apóstolos ensinam como essa obediência aparece na vida diária (Mateus 22:37-40; Gálatas 5:13-14). A diferença é que obedecemos a Cristo como pessoas alcançadas por sua graça, não para tentar conseguir aceitação diante de Deus por meio da antiga aliança.