O Shemá é uma declaração de fé e uma oração central do judaísmo. Seu nome vem da primeira palavra de Deuteronômio 6:4, que significa “ouve”. Nesse trecho, Moisés chama Israel a reconhecer que o Senhor é seu Deus e a amá-lo de todo o coração, de toda a alma e com todas as forças (Deuteronômio 6:4-5).
Mas “ouvir”, ali, não é só escutar palavras. É prestar atenção a Deus e viver de acordo com o que ele diz. Por isso, Moisés continua ensinando que o povo deve guardar essas palavras no coração, ensiná-las aos filhos e conversar sobre elas no dia a dia — em casa, pelo caminho, ao deitar e ao levantar (Deuteronômio 6:6-9). A fé não deveria ficar reservada a uma ocasião especial; deveria fazer parte da vida inteira.
Na tradição judaica, o nome Shemá também passou a designar uma oração recitada diariamente que reúne três trechos da Bíblia: Deuteronômio 6:4-9, Deuteronômio 11:13-21 e Números 15:37-41. Eles lembram o povo de amar a Deus, obedecer aos seus mandamentos e não se esquecer dele.
O Shemá também aparece numa conversa importante de Jesus. Quando lhe perguntaram qual era o principal mandamento, ele começou com as palavras de Deuteronômio sobre o único Deus e o amor dedicado a ele. Em seguida, acrescentou o mandamento de amar o próximo como a si mesmo, encontrado em Levítico 19:18 (Marcos 12:28-31).
Assim, o Shemá não é apenas o nome de uma oração antiga. Ele expressa uma resposta que Deus pede ao seu povo: reconhecê-lo como Deus, ouvi-lo e amá-lo com a vida toda. Jesus mostrou que esse amor também deve aparecer na maneira como tratamos as outras pessoas.