O metaverso é uma ideia: criar espaços digitais onde as pessoas possam se encontrar e fazer coisas juntas como se estivessem num mesmo lugar. Em vez de apenas assistir a uma videochamada, você poderia entrar num ambiente virtual, aparecer ali por meio de um personagem digital — chamado *avatar* — e conversar, estudar, trabalhar ou jogar com outras pessoas. Alguns desses ambientes usam óculos de realidade virtual; outros funcionam na tela do celular ou do computador.
Não existe, porém, um único metaverso que reúna tudo isso. Hoje há jogos e plataformas com algumas dessas características, mas a ideia de um grande mundo digital interligado ainda não se tornou realidade. E nem toda atividade na internet é metaverso: pagar uma conta pelo aplicativo do banco, por exemplo, é usar um serviço on-line, não entrar num ambiente virtual compartilhado.
A Bíblia não fala do metaverso, então não diz que essa tecnologia é boa ou má por si só. A pergunta mais útil é: *o que ela nos ajuda a fazer, e o que pode acabar tomando o lugar de coisas importantes?*
Ela pode ser útil. Uma pessoa com dificuldade de locomoção talvez consiga participar de uma aula ou visitar virtualmente um lugar que não poderia conhecer de outro modo. Amigos distantes podem conversar e fazer atividades juntos. Esses usos não são menos reais em seus efeitos só porque acontecem por uma tela: uma conversa on-line pode trazer consolo, ensinar algo valioso e fortalecer uma amizade.
Ao mesmo tempo, estar conectado não atende a todas as necessidades de uma pessoa. Deus nos criou com corpos e nos colocou num mundo onde cuidamos uns dos outros de maneiras concretas (Gênesis 1:26-28). Podemos ouvir alguém à distância, mas também precisamos aprender a estar presentes, repartir uma refeição, ajudar quem está perto e perceber necessidades que talvez nunca apareçam numa tela. Hebreus 10:24-25 incentiva os cristãos a se reunirem e se encorajarem. A tecnologia pode ajudar muito quem está impedido de estar presente, mas não é motivo pra tratar a convivência presencial como algo sem importância.
Há também cuidados práticos. Ambientes virtuais podem consumir tempo demais, expor dados pessoais, facilitar golpes e criar relações nas quais não sabemos com quem estamos falando. O cristão não precisa ter medo da tecnologia, mas deve usá-la com discernimento. Paulo ensina que nem tudo o que é permitido nos faz bem e que não devemos nos deixar dominar por coisa alguma (1 Coríntios 6:12). Esse é um bom modo de avaliar o tempo e a atenção que damos a qualquer plataforma.
Por fim, a esperança cristã não é escapar para uma existência digital. Jesus veio ao mundo como ser humano, morreu e ressuscitou; e a Bíblia fala da ressurreição dos que pertencem a ele (João 1:14; 1 Coríntios 15:20-23, 42-49). Por isso, o metaverso pode ser uma ferramenta interessante, mas não substitui a vida que Deus nos deu nem as pessoas com quem ele nos chama a viver.