O Dia de São João Batista é celebrado em 24 de junho. No calendário de muitas igrejas, a data lembra o nascimento de João, o homem que preparou o povo pra chegada de Jesus. Em Quebec, no Canadá, ela também se tornou uma grande festa cultural, ligada à história e à identidade da população de língua francesa. Por isso, duas pessoas podem participar das comemorações por motivos bem diferentes: uma por devoção religiosa; outra, simplesmente pela festa da comunidade.
A Bíblia não manda comemorar o nascimento de João Batista, mas também não proíbe separar um dia pra lembrar sua vida e aprender com ela. O que importa é o sentido da comemoração e o que se faz nela.
João merece ser conhecido. Antes do nascimento de Jesus, o anjo anunciou que ele prepararia pessoas pra receber o Senhor (Lucas 1:16-17). Mais tarde, João chamou o povo ao arrependimento e apontou Jesus como aquele que Deus havia enviado (João 1:29-34). Quando alguns começaram a comparar a importância dos dois, João deixou claro que não era o centro: sua missão era fazer Jesus conhecido, não ocupar o lugar dele (João 3:27-30).
Isso ajuda a avaliar a festa. Lembrar João com gratidão a Deus é diferente de prestar a João uma devoção que, por convicção bíblica, o cristão entende que deve ser dirigida somente a Deus. Muitos evangélicos, por exemplo, não oram a João nem pedem sua intercessão. Eles entendem que podem se aproximar diretamente de Deus por meio de Jesus, que é apresentado como mediador entre Deus e as pessoas (1 Timóteo 2:5; Hebreus 4:14-16). Já os católicos distinguem a veneração dos santos da adoração a Deus. É importante reconhecer essa diferença, mesmo quando há discordância sobre a prática de pedir a intercessão deles.
Também não seria justo tratar toda participação no feriado de Quebec como um ato religioso. Estar com a família, assistir a um desfile ou participar de uma atividade cultural não significa, por si só, concordar com cada crença associada à origem da festa. Ao mesmo tempo, chamar algo de “cultural” não resolve tudo: vale considerar se determinada atividade expressa uma devoção contrária à própria fé ou se levaria outras pessoas a entender que você a aprova. Esse cuidado combina com o ensino de Paulo sobre agir com consciência diante de Deus e pensar no efeito das próprias escolhas sobre os outros (Romanos 14:5-6, 22-23; 1 Coríntios 10:23-24, 31).
Portanto, um cristão não precisa comemorar o Dia de São João Batista. Se quiser aproveitar a data pra conhecer melhor o que a Bíblia diz sobre ele e agradecer a Deus por seu testemunho, pode fazer isso. Se for participar de uma festa cultural, pode avaliar as atividades com liberdade e consciência. E, se entender que uma prática religiosa dá a João um lugar que não deve dar, pode deixar de participar dela. Em qualquer caso, a melhor maneira de respeitar o próprio João é levar a sério a mensagem que ele anunciou: olhar pra Jesus.