Paulo não quis dizer que tudo o que é invisível dura pra sempre, nem que as coisas que vemos não têm valor. Ele estava falando de uma diferença bem específica: o sofrimento que enfrentamos agora tem fim, mas aquilo que Deus prometeu aos que pertencem a Cristo permanece pra sempre. É essa esperança que ajuda a entender 2 Coríntios 4:18.
Nos versículos anteriores, Paulo fala de pessoas que passam por aflições e veem o próprio corpo se desgastar. Ele conhecia esse sofrimento de perto. Por isso, quando diz que as aflições são passageiras, não está fingindo que elas não doem. Ele está comparando o tempo que elas duram com o futuro que Deus preparou. O sofrimento é real, mas não terá a última palavra (2 Coríntios 4:16-18).
Aquilo que Paulo chama de “o que não se vê” inclui essa esperança futura. Ainda não podemos ver a vida sem a morte e a deterioração que Deus prometeu. Ainda não vemos nosso corpo transformado pela ressurreição. Mas, segundo Paulo, Deus cumprirá essas promessas por meio de Cristo (2 Coríntios 5:1-5; Filipenses 3:20-21). É nesse sentido que ele fala de algo eterno: a vida que Deus dará não estará sujeita ao desgaste e ao fim que conhecemos hoje.
Isso não significa que o mundo material seja ruim ou que Deus vá nos deixar pra sempre sem corpo. Pelo contrário, a esperança cristã inclui a ressurreição do corpo. Em Romanos 8:23-25, Paulo diz que esperamos algo que ainda não vemos: a redenção do nosso corpo. O invisível, portanto, não é necessariamente algo que nunca poderá ser visto. É também aquilo que ainda não aconteceu, mas que Deus prometeu realizar.
Então, como alguém pode olhar pra algo que não vê? Paulo não está falando dos olhos do corpo. Está falando de manter as promessas de Deus em mente e confiar nelas enquanto enfrenta a vida de hoje. Essa confiança se apoia especialmente na ressurreição de Jesus, que, para os cristãos, é a razão pra esperar a vida que Deus prometeu (1 Pedro 1:3-4).
Em poucas palavras, 2 Coríntios 4:18 nos ensina a não medir toda a nossa vida apenas pelo que está diante dos olhos agora. A dor, o envelhecimento e as perdas são reais e merecem ser levados a sério. Mas, pra quem está em Cristo, elas não são o fim da história. O que Deus prometeu, mesmo que ainda não possamos ver, é o que permanecerá.