A Igreja Ortodoxa Oriental é uma família de igrejas cristãs antigas. Elas não formam uma única instituição comandada por um líder mundial: cada igreja cuida de seus próprios assuntos, mas mantém laços de fé e comunhão com as outras. Entre elas estão as igrejas copta, armênia, siríaca, etíope, eritreia e a Igreja Ortodoxa Síria Malankara, da Índia.
O nome pode causar confusão. A Igreja Ortodoxa Oriental não é a mesma que a Igreja Ortodoxa de tradição grega e russa, também chamada de ortodoxia bizantina. São duas famílias diferentes. A separação entre as igrejas orientais de que estamos falando aqui e as igrejas que aceitaram o Concílio de Calcedônia começou no século V, muito antes da ruptura entre Roma e Constantinopla, geralmente associada ao ano de 1054.
A principal questão por trás daquela separação era como falar sobre Jesus. Em 451, o Concílio de Calcedônia afirmou que Jesus Cristo é uma só pessoa, plenamente Deus e plenamente homem, *em duas naturezas*. As igrejas que hoje chamamos de ortodoxas orientais não aceitaram essa maneira de formular o ensino. Elas preferem dizer que, no único Cristo, a humanidade e a divindade estão unidas em uma natureza encarnada. Por isso, sua posição costuma ser chamada de *miafisita*.
Essa diferença precisa ser explicada com cuidado. Essas igrejas não ensinam simplesmente que Jesus deixou de ser humano, nem que sua humanidade foi absorvida pela divindade. Elas afirmam que ele é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. A discussão envolve a melhor maneira de expressar como essas duas realidades estão unidas nele. Houve discordâncias teológicas reais, mas também pesaram questões de linguagem e conflitos entre líderes e regiões. Nos diálogos mais recentes, representantes dessas igrejas e de outras tradições cristãs reconheceram que parte da antiga disputa pode ter vindo de maneiras diferentes de explicar a mesma fé em Cristo.
Para entender o tamanho dessa família, basta lembrar que ela inclui cristãos de tradições muito diferentes entre si, do Egito à Armênia e à Índia. A Igreja Copta, por exemplo, chama seu líder de “papa de Alexandria”. Isso não significa que ele tenha sobre as demais igrejas ortodoxas orientais a autoridade que o papa de Roma exerce na Igreja Católica.
Do ponto de vista bíblico, o ponto central sobre Jesus é claro: ele é Deus e se tornou verdadeiramente humano (João 1:1, 14; Colossenses 2:9; Hebreus 2:14-17). Um cristão pode avaliar as fórmulas usadas por cada tradição à luz dessas passagens sem concluir, só por causa do nome *miafisita*, que as igrejas ortodoxas orientais negam a humanidade de Cristo.
Há também diferenças importantes entre essas igrejas e muitas igrejas evangélicas quanto aos sacramentos e à vida da igreja. A Ortodoxia Oriental dá grande importância ao batismo, à eucaristia e a outras práticas da comunidade cristã, entendendo-as como meios pelos quais Deus concede sua graça. Já a ênfase evangélica é que ninguém conquista a salvação por cumprir ritos religiosos: somos salvos pela graça de Deus, por meio da fé em Cristo, não por nossas obras (Efésios 2:8-9; Romanos 3:23-24). Essa é uma diferença que merece ser examinada com seriedade, sem presumir que todo cristão ortodoxo oriental esteja tentando “comprar” o perdão de Deus por meio de cerimônias.
Em resumo, a Igreja Ortodoxa Oriental é uma família de igrejas cristãs antigas, unidas entre si e distintas tanto da Igreja Católica quanto das igrejas ortodoxas de tradição grega e russa. Sua história está especialmente ligada à controvérsia do século V sobre como expressar a união da divindade e da humanidade em Jesus Cristo.