Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que a Bíblia diz sobre a tortura?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A Bíblia não apresenta uma regra única sobre todas as práticas que hoje recebem o nome de tortura. Mas ela dá razões fortes pra rejeitar a ideia de causar sofrimento intenso a alguém por crueldade, vingança ou pra arrancar uma confissão.

Um cuidado importante é distinguir punir um crime de torturar uma pessoa. A Bíblia reconhece que autoridades podem punir quem pratica o mal (Romanos 13:1-4). Isso, porém, não lhes dá liberdade pra fazer qualquer coisa com um preso. Os governantes também devem agir com justiça e prestarão contas a Deus pelo modo como tratam as pessoas sob sua autoridade (Salmo 82:2-4). Até quando a lei de Israel permitia castigos físicos, estabelecia limites pra que a pessoa punida não fosse humilhada sem medida (Deuteronômio 25:1-3).

A Bíblia também mostra o perigo de usar a dor pra conseguir o que se quer. Jesus foi maltratado e açoitado antes de sua crucificação; Paulo e Silas foram espancados e presos (Mateus 27:26-31; Atos 16:22-24). Esses relatos descrevem abusos, não exemplos a seguir. E, quando Jesus conta numa parábola que um homem foi entregue a carcereiros severos, ele usa uma situação conhecida pra ensinar sobre o perdão; não está autorizando a tortura (Mateus 18:21-35).

E se alguém disser que a dor pode ser necessária pra obter uma informação e salvar vidas? Essa é uma pergunta séria, mas a Bíblia não oferece uma autorização para torturar nessas circunstâncias. O desejo de proteger inocentes é justo. Ainda assim, uma suspeita pode estar errada, uma pessoa sob sofrimento pode dizer o que o interrogador quer ouvir, e uma boa intenção não torna qualquer método correto. Quem tem autoridade precisa buscar a verdade sem abandonar a justiça.

Há ainda uma diferença entre o julgamento de Deus e as decisões humanas. Deus julga com conhecimento perfeito; nós não. Por isso, as passagens que falam do sofrimento ligado ao juízo divino não dão a ninguém o direito de provocar esse sofrimento em outra pessoa. E, no plano pessoal, a orientação é clara: não buscar vingança (Romanos 12:19).

Assim, a Bíblia não resolve pelo nome cada técnica de interrogatório ou cada situação difícil. Mas ela estabelece limites que não devem ser ignorados: a autoridade deve servir à justiça, não à crueldade; o preso não deixa de ser uma pessoa; e a necessidade de combater o mal não permite tratar o sofrimento humano como algo sem importância.