A Bíblia não diz que ser rico é pecado. Ela fala de pessoas que tinham muitos bens e serviam a Deus, como Abraão (Gênesis 13:2). Mas também não diz que ter dinheiro é prova de que alguém agrada a Deus. Há pessoas fiéis que passam necessidade, assim como há pessoas injustas que prosperam. O Salmo 73 trata justamente da dificuldade de ver gente má vivendo bem.
A questão principal, então, não é apenas quanto dinheiro uma pessoa tem, mas que lugar esse dinheiro ocupa na vida dela e o que ela faz com ele.
Ter recursos pode permitir que alguém cuide da família, ajude quem precisa e contribua com boas obras. No Novo Testamento, Joana está entre as mulheres que ajudavam a sustentar Jesus e seus discípulos com seus bens (Lucas 8:1-3). Quando Jesus encontrou Zaqueu, a mudança na vida dele apareceu também na maneira de lidar com o dinheiro: ele decidiu repartir seus bens com os pobres e reparar os prejuízos que havia causado (Lucas 19:1-10).
Ao mesmo tempo, Jesus fez alertas muito sérios sobre a riqueza. Ele disse que é difícil pro rico entrar no Reino de Deus (Marcos 10:23-25). Não porque o dinheiro seja mau por si só, mas porque é fácil passar a confiar nele mais do que em Deus. Na história do homem que juntou uma grande colheita e planejou viver tranquilo, Jesus mostrou o perigo de pensar que bens podem garantir o futuro e dar sentido à vida (Lucas 12:16-21). Aquele homem tinha planos pra sua produção, mas não levava Deus em conta.
É por isso que Paulo não diz que *o dinheiro* é a raiz de todos os males. Sua advertência é contra o amor ao dinheiro: o desejo de enriquecer pode levar uma pessoa a se afastar da fé e causar muito sofrimento (1 Timóteo 6:9-10). No mesmo capítulo, ele orienta os ricos a não serem arrogantes nem colocarem sua esperança na riqueza, que é incerta. Em vez disso, devem ser generosos e dispostos a repartir (1 Timóteo 6:17-19).
Isso vale pra quem tem muito e também pra quem tem pouco. Uma pessoa pode ter poucos bens e viver dominada pela vontade de ganhar mais. Outra pode ter bastante e administrar o que possui com gratidão, honestidade e generosidade. A Bíblia nos ensina a trabalhar e agir com responsabilidade, mas também a não fechar os olhos pra necessidade dos outros (Efésios 4:28; 1 João 3:17).
Uma oração em Provérbios resume bem essa atitude: o autor pede a Deus o necessário pra viver, reconhecendo que tanto a falta quanto a abundância podem trazer tentações (Provérbios 30:7-9). Não é uma regra de que todo cristão deva ter exatamente a mesma quantidade de bens. É um pedido de sabedoria pra não deixar que as circunstâncias o afastem de Deus.
Portanto, a Bíblia não condena a riqueza nem promete que toda pessoa fiel ficará rica. Ela nos chama a receber o que temos com gratidão, buscar sustento de maneira honesta, ajudar os outros e não fazer do dinheiro a nossa segurança. Podemos possuir bens; o perigo é viver como se eles fossem aquilo de que mais precisamos.