A Bíblia mostra que temos facilidade para encontrar desculpas quando erramos. Às vezes, diminuímos o que fizemos: “Não foi tão grave assim.” Outras vezes, apontamos o erro de alguém pra parecer que o nosso é menor. Podemos até fazer coisas boas e usar isso como motivo pra não reconhecer aquilo que precisa mudar. É nesse sentido que a autojustificação se torna um problema: em vez de admitir o pecado, tentamos provar que estamos certos.
Isso aparece desde o começo da Bíblia. Depois de desobedecerem a Deus, Adão falou da mulher que lhe havia dado o fruto, e Eva falou da serpente (Gênesis 3:11-13). O que disseram não apagava a escolha que cada um tinha feito. Mais tarde, o rei Saul também apresentou razões pra sua desobediência, embora soubesse o que Deus havia ordenado (1 Samuel 15:20-23). Uma explicação pode até conter fatos verdadeiros e, ainda assim, servir pra fugir da responsabilidade.
A autojustificação também pode assumir uma forma religiosa. Jesus contou a história de um fariseu que orava agradecendo por não ser como outras pessoas, enquanto um cobrador de impostos reconhecia seu pecado e pedia misericórdia. Jesus disse que foi o homem que pediu misericórdia, e não o que se considerava superior, que voltou pra casa justificado diante de Deus (Lucas 18:9-14). O problema do fariseu não era fazer coisas boas. Era achar que essas coisas o tornavam justo e lhe davam motivo pra desprezar os outros.
Então há uma diferença importante. Reconhecer uma acusação injusta e contar a verdade não é errado. O problema é usar desculpas, comparações ou boas ações pra esconder nossa culpa — especialmente diante de Deus. Podemos convencer outras pessoas de que estamos certos, mas Deus conhece também nossas intenções. Por isso, ninguém consegue conquistar uma posição justa diante dele por seu próprio esforço (Romanos 3:20).
A boa notícia é que Deus não exige que a gente finja ser inocente pra se aproximar dele. Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou. Por causa dele, Deus perdoa e recebe quem confia em Cristo, em vez de tentar merecer sua aceitação (Romanos 3:21-26; 4:5). Essa fé não torna o pecado aceitável: ela nos dá coragem pra confessá-lo, buscar perdão e mudar.
No fim, a Bíblia nos chama a trocar a pergunta “Como posso provar que estou certo?” por outra, mais honesta: “Onde eu errei, e como posso voltar pra Deus?” Não precisamos defender nossos erros diante de alguém que já os conhece e oferece perdão em Jesus.