Paulo não estava dizendo que comer legumes é sinal de pouca fé. Em Romanos 14:2, ele fala de um cristão que evitava carne porque achava que comê-la poderia ser errado diante de Deus. Nesse assunto, sua consciência ainda não lhe dava liberdade pra comer de tudo. Por isso Paulo o chama de “fraco na fé”.
O texto não diz exatamente por que algumas pessoas evitavam carne. Talvez tivessem dúvidas sobre a maneira como ela havia sido preparada, ou receio de que tivesse alguma ligação com a adoração a ídolos. Comer apenas vegetais era uma forma de não correr o risco de fazer algo que consideravam pecado. Essas são explicações possíveis, não motivos que Paulo identifica no texto.
A diferença entre o “forte” e o “fraco” não era o cardápio. Era a convicção com que cada um comia. O forte entendia que podia comer de tudo sem desagradar a Deus. O fraco ainda tinha dúvidas e, por isso, se abstinha. Paulo afirma que nenhum alimento é impuro por si mesmo, mas também diz que, se alguém acredita que comer determinado alimento é errado, não deve agir contra a própria consciência (Romanos 14:14, 23).
Isso não significa que toda escolha alimentar seja apenas uma questão de opinião. Paulo está tratando de alimentos que um cristão podia comer sem pecar, embora outro ainda não estivesse convencido disso. A solução não era pressionar o segundo a comer, nem deixar que ele condenasse o primeiro.
Por isso, Paulo orienta quem come de tudo a não desprezar quem evita certos alimentos; e quem evita esses alimentos a não julgar quem os come (Romanos 14:3). Mais adiante, ele inclui a si mesmo entre os fortes, mas diz que os fortes devem levar em conta as dificuldades dos fracos, em vez de pensar só na própria vontade (Romanos 15:1).
Então, “o fraco na fé come legumes” descreve alguém que, por causa de suas dúvidas religiosas, preferia não comer carne. O ensino de Paulo é que os cristãos não devem transformar uma questão como essa em motivo de desprezo ou condenação. Quem tem liberdade deve usá-la com amor; quem tem dúvidas não deve ser forçado a agir contra a própria consciência.