Jesus estava falando da vida que Deus oferece por meio dele. Na conversa com a mulher samaritana, ele chamou essa dádiva de “água viva”. Não era água tirada do poço: era algo capaz de atender a uma necessidade que a água comum nunca poderia atender.
A conversa começou de um jeito bem simples. Jesus, cansado da viagem, pediu água a uma mulher que tinha ido ao poço. Ela estranhou o pedido, porque judeus e samaritanos evitavam esse tipo de contato. Então Jesus disse que, se ela soubesse quem estava falando com ela e conhecesse o dom de Deus, seria ela quem pediria água a ele (João 4:7-10).
A mulher pensou na água do poço. Por isso, perguntou como Jesus conseguiria lhe dar água se nem tinha com que tirá-la. Jesus explicou a diferença: quem bebesse daquela água voltaria a sentir sede; já a água que ele oferecia se tornaria, na pessoa, uma fonte que conduz à vida eterna (João 4:11-14). O ponto de Jesus era que ela precisava de algo que somente ele podia dar.
Mas qual é a relação dessa “água viva” com o Espírito Santo? Mais adiante, Jesus voltou a usar a imagem da água para falar do que receberiam aqueles que cressem nele. Dessa vez, João explicou que ele se referia ao Espírito Santo (João 7:37-39). Isso ajuda a entender João 4:10: a vida que Jesus oferece vem de Deus e é dada aos que creem por meio do Espírito.
Por isso, não precisamos escolher entre dizer que o dom é a vida eterna ou que ele envolve o Espírito Santo. Em João 4, Jesus destaca a vida eterna que oferece; em João 7, aprendemos que o Espírito Santo está ligado a essa vida. E ela é chamada de dom porque não é algo que conseguimos comprar ou merecer. Deus a oferece por meio de Jesus, e nós a recebemos pela fé (Efésios 2:8-9; Romanos 6:23).
Assim, “o dom de Deus” em João 4:10 é, no contexto, a vida que Jesus oferece gratuitamente — a “água viva” que satisfaz de um modo que a água do poço não poderia satisfazer e que conduz à vida eterna.