Porque ser tentado não é a mesma coisa que ser obrigado. O diabo pode tentar enganar uma pessoa e incentivá-la a pecar. Mas, quando escolhemos fazer o que sabemos ser errado, não podemos colocar toda a culpa nele.
Isso aparece logo no começo da Bíblia. Depois de comer o fruto que Deus havia proibido, Eva disse que a serpente a tinha enganado. Ela falou de algo real: a serpente a enganou. Mesmo assim, Deus não tratou sua escolha como se ela não tivesse responsabilidade pelo que fez (Gênesis 3:1-13, 16). Adão também tentou se explicar apontando para Eva, mas continuou responsável por sua própria decisão.
Tiago explica por que essa desculpa não resolve o problema. Ele diz que a tentação também encontra apoio nos nossos próprios desejos: desejamos algo, deixamos esse desejo nos atrair e então pecamos (Tiago 1:14-15). Às vezes, o diabo pode estar por trás de uma mentira que ouvimos. Outras vezes, nem precisamos de uma influência direta dele pra agir por orgulho, inveja ou raiva. É por isso que Paulo chama atitudes como ciúmes, brigas e inveja de obras da nossa natureza pecaminosa, não simplesmente de obras do diabo (Gálatas 5:19-21).
Isso não significa que a ação do diabo seja imaginária ou sem importância. A Bíblia manda os cristãos ficarem atentos e resistirem a ele (1 Pedro 5:8-9; Tiago 4:7). Há também relatos de pessoas que sofreram uma ação demoníaca grave; não devemos tratar esses casos como se fossem apenas escolhas comuns. Mas esses relatos não nos dão motivo pra atribuir automaticamente ao diabo cada pecado que cometemos.
Reconhecer nossa responsabilidade é importante porque nos permite lidar com o problema de verdade. Se eu digo apenas “o diabo me fez fazer isso”, posso deixar de admitir o que desejei, decidi ou fiz. Já quando reconheço meu pecado, posso confessá-lo a Deus, pedir perdão e buscar sua ajuda pra mudar (1 João 1:9). Deus não nos chama a resistir sozinhos: ele nos dá seu Espírito e nos ensina a procurar uma saída diante da tentação (Gálatas 5:16; 1 Coríntios 10:13).
Então, a resposta é simples: o diabo pode tentar, mas a tentação não apaga nossa responsabilidade por nossas escolhas. Em vez de usar a influência dele como desculpa, precisamos reconhecer o que fizemos e recorrer a Deus, que nos perdoa e nos ajuda a obedecer.