Agar deu esse nome a Deus porque, quando fugiu grávida para o deserto, descobriu que não estava esquecida. Ela era serva de Sarai e havia sido maltratada por ela. Longe da casa de Abrão, o anjo do Senhor a encontrou, chamou-a pelo nome e falou sobre o filho que ela esperava. Depois desse encontro, Agar chamou o Senhor de “o Deus que me vê” (Gênesis 16:6-13).
Pra entender o peso dessas palavras, vale lembrar como ela chegou ali. Deus tinha prometido a Abrão um filho, mas Sarai não conseguia engravidar. Então ela propôs que Abrão tivesse um filho com Agar, sua serva. Agar engravidou, a relação entre as duas se tornou difícil, e Sarai passou a tratá-la tão mal que Agar fugiu (Gênesis 16:1-6). Ela estava numa situação de pouca proteção, carregando uma criança e sem saber o que aconteceria com as duas.
Foi ali, junto a uma fonte no deserto, que o anjo do Senhor a encontrou. Ele anunciou que seu filho se chamaria Ismael e explicou o motivo: o Senhor tinha ouvido o sofrimento dela (Gênesis 16:7-11). Agar percebeu, então, que Deus conhecia sua situação. Ele não tinha visto apenas uma serva fugindo; sabia quem ela era e o que estava passando.
Há também um sentido de espanto nas palavras de Agar. Gênesis 16:13 liga a declaração “o Deus que me vê” ao fato de ela ter visto aquele que falava com ela. O relato chama esse mensageiro de “anjo do Senhor”, mas também apresenta o encontro como uma experiência com o próprio Deus. Alguns cristãos entendem que o anjo do Senhor era uma aparição de Cristo antes de seu nascimento; outros não consideram que o texto permita afirmar isso com certeza. De todo modo, a razão do nome que Agar deu a Deus é clara: Deus a encontrou quando ela achava que estava sozinha.
O anjo disse a Agar que voltasse à casa de Sarai (Gênesis 16:9). Essa ordem faz parte daquela história, mas não deve ser usada pra dizer a alguém que sofre maus-tratos que precisa permanecer numa situação de perigo. O ponto que Gênesis destaca aqui é que Deus levou a sério o sofrimento de Agar e falou com ela sobre o futuro de seu filho.
Por isso, “o Deus que me vê” não quer dizer apenas que nada escapa aos olhos de Deus. Pra Agar, significava algo muito pessoal: mesmo sendo uma serva, longe de casa e aflita, ela não tinha sido ignorada por ele.