Deus mandou fazer o primeiro censo principalmente pra saber quantos homens de Israel estavam aptos a servir no exército. O povo havia saído do Egito e seguia em direção à terra que Deus tinha prometido dar a seus antepassados. Por isso, o Senhor ordenou que Moisés contasse, tribo por tribo, os homens de vinte anos pra cima capazes de ir à guerra (Números 1:1-3).
Isso explica por que mulheres e crianças não aparecem nessa contagem. O censo não media a importância de cada pessoa diante de Deus: ele tinha uma finalidade específica. Pelo mesmo motivo, os levitas ficaram fora da lista militar. Deus lhes deu outra tarefa: cuidar do tabernáculo, o lugar de adoração que acompanhava o povo durante a viagem. Eles foram contados separadamente, segundo as necessidades desse serviço (Números 1:47-53; 3:14-15).
O resultado do primeiro censo foi de 603.550 homens aptos pra guerra, sem incluir os levitas (Números 1:45-46). Esse número também ajuda a perceber que Deus tinha tirado do Egito e sustentado no deserto um povo muito numeroso. Mas esse é um significado que podemos observar no relato; a finalidade apresentada diretamente para aquela contagem era identificar os homens disponíveis pra guerra.
Há ainda um segundo censo no livro de Números, e a diferença entre os dois ajuda a entender a história. Depois que o povo se recusou a entrar na terra prometida, aquela geração passou anos no deserto. Mais tarde, Deus mandou contar a nova geração. Essa contagem voltou a registrar os homens aptos pra guerra e também serviria de base pra repartir a terra entre as tribos, conforme o tamanho de cada uma (Números 26:1-4, 52-56).
Assim, os censos não foram feitos simplesmente pra descobrir quantas pessoas havia em Israel. O primeiro preparava o povo pra seguir rumo à terra prometida; o segundo preparava a geração seguinte pra entrar nela e receber sua parte.