Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que é a Nova Reforma Apostólica?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A Nova Reforma Apostólica, muitas vezes chamada de NRA, é o nome dado a uma corrente presente em algumas igrejas e ministérios cristãos. Ela defende que Deus está levantando apóstolos e profetas hoje para dirigir a igreja de um modo especial. Em certos grupos, isso vem acompanhado da ideia de que a igreja deve conquistar influência decisiva sobre áreas como o governo, a educação, a mídia e os negócios.

Não se trata de uma denominação única, com uma sede e uma lista oficial de membros. Por isso, duas igrejas associadas a essa corrente podem ensinar coisas diferentes, e nem toda pessoa que adota algumas dessas ideias usa o nome “Nova Reforma Apostólica”. O termo ficou especialmente ligado às propostas divulgadas por C. Peter Wagner no fim do século 20.

O ponto que mais precisa de atenção é a autoridade dada a esses líderes. A Bíblia diz que Jesus deu à igreja apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (Efésios 4:11). Mas citar essa lista não resolve, por si só, a pergunta principal: um líder de hoje pode exigir a mesma autoridade dos apóstolos que anunciaram a ressurreição de Jesus e ensinaram a igreja em seu começo?

Os apóstolos ligados ao início da igreja tiveram um papel especial. Paulo se apresentou como testemunha do Cristo ressuscitado e disse que seu apostolado vinha de Jesus, não de uma nomeação humana (1 Coríntios 9:1; Gálatas 1:1). Efésios 2:20 também fala dos apóstolos e profetas como parte do fundamento da igreja. Por isso, muitos cristãos entendem que ninguém hoje pode ocupar o lugar daqueles apóstolos. Outros aceitam usar a palavra “apóstolo” num sentido mais amplo, para alguém enviado a abrir frentes missionárias. Mesmo nesse caso, ser enviado para uma missão não dá a ninguém autoridade para impor novos ensinamentos à igreja.

A mesma cautela vale para as profecias. Cristãos que discordam sobre a continuidade do dom de profecia ainda podem concordar neste ponto: nenhuma mensagem atribuída a Deus deve ficar acima das Escrituras, nem escapar de exame. A igreja é orientada a avaliar o que ouve (1 Tessalonicenses 5:20-21), e Judas 3 fala da fé entregue ao povo de Deus de uma vez por todas. Uma previsão vaga, que sempre pode ser reinterpretada depois, não deve ser aceita simplesmente porque alguém a chamou de revelação.

Alguns grupos ligados à NRA também dão muita ênfase à chamada “guerra espiritual”. A Bíblia ensina que o cristão deve orar e resistir ao diabo (Efésios 6:10-18; Tiago 4:7). Isso, porém, é diferente de afirmar com segurança que todo problema de uma cidade é causado por um demônio específico e que é preciso descobrir seu nome para vencê-lo. A Bíblia não apresenta esse método como uma tarefa necessária para a igreja.

Há ainda a ideia, defendida por alguns desses grupos, de que os cristãos precisam assumir o controle de setores da sociedade para estabelecer o Reino de Deus. Cristãos podem, sim, participar da política, trabalhar pela justiça e fazer o bem onde vivem. O problema é transformar o domínio cultural ou político na missão principal da igreja. Jesus mandou seus discípulos fazer discípulos de todas as nações (Mateus 28:18-20). E, ao falar com Pilatos, deixou claro que seu Reino não tem origem no sistema de poder deste mundo (João 18:36). Isso não quer dizer que o Reino não tenha efeitos na vida pública; quer dizer que ele não é estabelecido pela conquista do poder político.

Então, a melhor maneira de avaliar a Nova Reforma Apostólica não é presumir que todas as pessoas associadas a ela creem exatamente nas mesmas coisas. É examinar o que cada líder ensina e exige. Quando uma suposta revelação não pode ser questionada, quando a submissão a um “apóstolo” vira condição para a igreja cumprir sua missão, ou quando a busca por poder toma o lugar do evangelho, há motivos bíblicos sérios para rejeitar esses ensinamentos. A autoridade final da igreja pertence a Jesus, e seus líderes e suas mensagens precisam ser avaliados à luz das Escrituras.