Não há bons motivos pra considerar Nostradamus um profeta de Deus. Ele escreveu textos que muita gente relaciona a acontecimentos posteriores, mas isso é diferente de receber uma mensagem de Deus e anunciá-la com clareza.
Nostradamus foi um francês do século 16, ligado à medicina e à astrologia. Ficou conhecido principalmente por versos curtos e difíceis de interpretar, reunidos em *As Profhecias*. Depois de grandes acontecimentos, como guerras ou atentados, algumas pessoas voltam a esses versos e encontram palavras que parecem combinar com o que aconteceu. O problema é que uma previsão precisa poder ser entendida antes do acontecimento, não apenas depois.
Pense nos ataques de 11 de setembro de 2001. Circulou pela internet um texto atribuído a Nostradamus que parecia descrevê-los de forma impressionante. Só que aquele texto, na forma em que costuma ser divulgado, não é uma profecia autêntica dele. Há também versos verdadeiros que algumas pessoas associam aos ataques, mas eles não identificam claramente o lugar, a data ou o que aconteceria. É fácil ligar palavras vagas a um fato que já conhecemos; é muito mais difícil mostrar que elas anunciavam aquele fato de antemão.
A Bíblia dá critérios mais importantes do que a simples impressão de que alguém “acertou” o futuro. Deuteronômio 18:20-22 ensina que ninguém deve dizer que fala em nome de Deus quando Deus não lhe deu aquela mensagem. E, se uma previsão feita em nome dele não se cumprir, não veio dele. Isso não quer dizer que toda mensagem profética seja uma previsão incondicional: em Jeremias 18:7-10, Deus explica que a resposta das pessoas pode mudar o que ele havia anunciado sobre uma nação. O ponto é que um profeta não tem liberdade pra atribuir a Deus palavras que ele não disse.
Além disso, acertar alguma coisa, por si só, não prova que alguém fala por Deus. Deuteronômio 13:1-3 alerta que, mesmo que um sinal aconteça, uma mensagem que afasta as pessoas do Senhor deve ser rejeitada. Na Bíblia, os profetas não eram apenas pessoas capazes de falar sobre o futuro. Eles transmitiam a palavra de Deus e chamavam o povo a ouvi-lo.
Por isso, a questão não é descobrir uma explicação possível pra cada verso de Nostradamus. Seus escritos não oferecem uma base confiável pra reconhecê-lo como mensageiro de Deus, e as semelhanças apontadas depois dos acontecimentos não demonstram que ele recebeu revelações divinas. Pra conhecer a Deus e entender o que ele quer de nós, o cristão deve se firmar nas Escrituras, que apontam pra Jesus, e não nas interpretações incertas desses versos.