Não. Sentir saudade de uma época, de pessoas ou de momentos bons não é errado. A lembrança pode até nos levar a agradecer a Deus pelo que vivemos. O cuidado começa quando passamos a acreditar que *só* no passado havia coisas boas e que o presente já não merece nossa atenção.
É nesse ponto que Eclesiastes 7:10 nos faz pensar. O texto questiona a atitude de perguntar por que os dias antigos eram melhores que os de agora e diz que essa não é uma pergunta sábia. Ele não está proibindo as boas lembranças. Está nos alertando contra a mania de olhar pra trás como se tudo tivesse sido melhor.
A memória nem sempre nos mostra o quadro inteiro. Podemos lembrar com carinho de uma fase da vida e, sem perceber, deixar de lado as dificuldades que também existiam nela. Se hoje estamos passando por um momento pesado, essa comparação fica ainda mais fácil. A saudade é real, mas a ideia de que antes tudo era bom pode não ser.
Também há perdas que não devem ser minimizadas. Quem sente falta de alguém que morreu, por exemplo, não precisa fingir que está bem nem parar de lembrar dessa pessoa. A Bíblia nos dá espaço pra sofrer e nos chama a buscar consolo em Deus (Salmo 34:18). Seguir vivendo não significa deixar de amar ou de lembrar.
O problema é quando a saudade nos impede de cuidar da vida que temos agora. Paulo disse que seguia em frente em direção ao que Deus o havia chamado pra fazer (Filipenses 3:13-14). Isso não quer dizer que ele apagou a própria história. Quer dizer que o passado não decidia seus próximos passos.
Por isso, você pode guardar com gratidão o que foi bom e lamentar sinceramente o que perdeu. Só não precisa viver tentando voltar a uma época que já passou. Deus continua presente hoje, e a esperança que ele nos dá em Cristo também aponta pra frente (1 Pedro 1:3-4).