Paulo está dizendo que ninguém consegue, por sua própria capacidade, fazer aquilo que só Deus pode fazer na vida de uma pessoa. Podemos ensinar, aconselhar e anunciar Jesus. Mas não conseguimos mudar o coração de alguém nem lhe dar vida espiritual. Pra isso, dependemos de Deus.
Essa é a ideia de 2 Coríntios 3:5. Paulo fala da sua capacidade de servir como ministro de Cristo, não de uma incapacidade geral de pensar ou fazer qualquer coisa. Ele conhecia as Escrituras e sabia ensinar. Mesmo assim, não atribuía a si próprio o poder de realizar a obra que Deus lhe havia confiado.
O contexto ajuda a entender por quê. Alguns podiam apresentar cartas que recomendavam seu trabalho. Paulo diz que a própria comunidade de Corinto era uma recomendação do seu ministério: a vida daquelas pessoas havia sido transformada por Cristo. Mas ele toma cuidado pra não dizer que essa mudança era obra sua. Segundo Paulo, o Espírito de Deus havia agido nelas (2 Coríntios 3:1-3). Por isso, sua confiança estava em Deus, por meio de Cristo, e não em suas qualificações (2 Coríntios 3:4-6).
Paulo explica, então, que Deus o capacitou pra anunciar a nova aliança. Em palavras simples, é a nova relação com Deus que Jesus tornou possível. Paulo a compara com a antiga aliança, dada a Israel por meio da lei. Quando diz que “a letra mata, mas o Espírito vivifica”, ele não está dizendo que ler a Bíblia faz mal. Seu ponto é que a lei, por si só, mostra o pecado, mas não dá às pessoas o poder de vencê-lo. A vida que elas precisam vem do Espírito de Deus (2 Coríntios 3:6; veja também Romanos 7:7-11).
Isso não significa que estudo, preparo e trabalho não tenham valor. Paulo trabalhou muito, mas reconheceu que a graça de Deus estava com ele nesse trabalho (1 Coríntios 15:9-10). A diferença está em não confundir o que podemos fazer com o que somente Deus pode fazer.
Assim, dizer que a nossa suficiência vem de Deus é reconhecer nossa dependência dele sem perder a confiança pra servir. Podemos fazer nossa parte com dedicação: falar de Cristo, ensinar com cuidado e amar as pessoas. E podemos fazer isso com esperança, porque Deus é capaz de agir de uma maneira que nossas palavras, sozinhas, jamais conseguiriam.