Porque ela pode fazer a gente tratar pessoas como inimigas a serem derrotadas, em vez de pessoas a serem amadas. Um cristão pode discordar de alguém, reconhecer um erro e até precisar se opor a uma atitude injusta. O perigo começa quando a discordância vira desprezo: “nós somos os bons; eles são o problema”.
Jesus ensinou algo bem diferente. Ele mandou amar os inimigos e orar por quem nos persegue. E explicou que Deus faz o bem tanto a pessoas justas quanto a injustas (Mateus 5:43-48). Isso não quer dizer que Deus aprove tudo o que elas fazem. Quer dizer que nossa maneira de tratá-las não pode depender apenas de elas concordarem conosco ou nos tratarem bem.
A mentalidade de “nós contra eles” também dificulta enxergar os próprios erros. Quando um grupo se considera sempre certo, fica fácil apontar as falhas dos outros e desculpar as suas. Jesus advertiu contra esse tipo de julgamento: antes de tentar corrigir alguém, precisamos examinar a nós mesmos (Mateus 7:1-5). A humildade não nos impede de reconhecer o pecado; ela nos impede de agir como se não precisássemos da mesma misericórdia que anunciamos.
Outro perigo é que essa atitude afasta pessoas que precisam ouvir o evangelho. Jesus não tratou os pecadores como pessoas sem valor. Ele conviveu com eles, sem chamar o pecado de algo bom (Marcos 2:15-17). Se nossas palavras só comunicam hostilidade, podemos acabar tornando mais difícil que alguém nos ouça quando falamos de Cristo.
Esse cuidado vale também dentro da igreja. Cristãos podem discordar sobre assuntos importantes e, às vezes, precisam corrigir uns aos outros. Mas Jesus disse que o amor entre seus discípulos seria uma marca pela qual as pessoas os reconheceriam (João 13:34-35). Corrigir alguém com respeito e buscar seu bem é diferente de ridicularizá-lo ou excluí-lo só porque há uma divergência.
Isso não significa fingir que todas as crenças são iguais, evitar conversas difíceis ou aceitar uma injustiça pra manter a paz. Significa lembrar que a pessoa com quem discordamos não deixa de ser uma pessoa feita à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27). Podemos defender a verdade com firmeza e, ao mesmo tempo, falar e agir com amor (Efésios 4:15).
Por isso, quando surgir uma discussão — na igreja, na política ou nas redes sociais — vale prestar atenção não só ao que estamos defendendo, mas ao que desejamos pra outra pessoa. Queremos apenas vencer a discussão? Ou queremos agir de um jeito que honre a Deus e faça bem a ela? Jesus chamou seus seguidores a promover a paz, mesmo quando são tratados com injustiça (Mateus 5:9-12). Essa é uma tarefa mais difícil do que escolher um lado e desprezar o outro, mas é o caminho que ele ensinou.