Os *nomina sacra* são formas abreviadas de certas palavras em manuscritos cristãos antigos. A expressão vem do latim e significa “nomes sagrados”. Os copistas usavam essas abreviações principalmente ao escrever palavras como Deus, Senhor, Jesus e Cristo.
A maior parte do Novo Testamento foi escrita em grego. Em muitas cópias antigas, em vez de escrever por extenso a palavra grega para “Deus”, o copista escrevia apenas algumas de suas letras e colocava um traço acima delas. Esse traço ajudava o leitor a reconhecer que a palavra tinha sido abreviada. Como as palavras gregas podem mudar de forma conforme a frase, a abreviação também podia variar.
Isso não quer dizer que faltava alguma coisa no texto. Quem lia o manuscrito sabia qual palavra aquelas letras representavam. Era uma maneira de escrevê-la, não um nome diferente pra Deus ou pra Jesus.
Por que os cristãos faziam isso? Não temos uma explicação deixada pelos primeiros copistas que resolva a questão por completo. Mas o uso frequente dessas abreviações para palavras ligadas a Deus e a Jesus indica que elas tinham um significado especial, provavelmente como sinal de respeito. Não parece ter sido apenas uma forma de economizar espaço.
Há um detalhe interessante: em alguns manuscritos, quando “deus” e “senhor” se referem a divindades adoradas por outras pessoas, as palavras aparecem por extenso; quando se referem ao Deus dos cristãos e a Jesus, aparecem abreviadas. Isso ajuda a entender a distinção que os copistas faziam. Também combina com a importância que o Novo Testamento dá a Jesus. Por exemplo, em 1 Coríntios 8:5-6, Paulo contrasta os muitos chamados “deuses” e “senhores” com o único Deus, o Pai, e o único Senhor, Jesus Cristo. A abreviação, porém, não prova sozinha uma doutrina sobre Jesus; essa doutrina precisa ser compreendida pelo ensino do texto bíblico.
Às vezes essa prática é comparada ao cuidado dos judeus com o nome de Deus, representado no Antigo Testamento pelas quatro letras hebraicas YHWH. A comparação pode ajudar, mas as práticas não eram iguais. Os cristãos abreviavam várias palavras, e nem todos os copistas seguiam o mesmo padrão em todas as ocasiões. Com o tempo, a abreviação passou a incluir outras palavras importantes, como “Pai”, “Espírito” e “Salvador”.
Em resumo, os *nomina sacra* mostram um costume de escrita dos primeiros cristãos: ao copiar seus textos, eles frequentemente davam uma forma especial a palavras ligadas a Deus e a Jesus. Eles não mudavam a mensagem da Bíblia, mas nos ajudam a perceber como esses cristãos tratavam aquelas palavras ao transmitir o texto.