A Bíblia usa nomes diferentes porque cada um destaca uma parte da história desse povo. Israelitas lembra a família de Jacó; judeus está ligado a Judá; hebreus é um nome mais antigo. Outras expressões, como filhos de Abraão, filha de Sião e povo escolhido, chamam a atenção pra relação desse povo com seus antepassados, sua terra e Deus.
Israelitas são os descendentes de Jacó, neto de Abraão. Deus deu a Jacó o nome de Israel depois de um encontro marcante em que ele lutou durante a noite (Gênesis 32:24-28). O nome está ligado à ideia de lutar ou perseverar com Deus. Os doze filhos de Jacó deram origem às doze tribos de Israel. Por isso, chamar alguém de israelita era falar de sua ligação com esse povo, não apenas dizer onde essa pessoa morava.
Judeus vem de Judá, nome de um dos filhos de Jacó e da tribo que descendia dele. Mais tarde, Judá também passou a ser o nome do reino do sul. Com o tempo, “judeu” se tornou uma forma de se referir ao povo de Israel de modo mais amplo, mesmo quando a pessoa não era da tribo de Judá. Mordecai, por exemplo, é chamado de judeu no livro de Ester, embora o mesmo texto mencione sua ligação com Benjamim (Ester 2:5).
Hebreu é um nome mais antigo. Abraão já é chamado de hebreu em Gênesis 14:13, muito antes de existir a nação de Israel. A origem exata da palavra é discutida. Uma explicação possível a relaciona com Éber, um antepassado de Abraão mencionado em Gênesis 11:14-26. O importante pra entender a Bíblia é perceber que “hebreu” já era usado pra identificar Abraão e, depois, seus descendentes.
A expressão filhos de Abraão lembra que Deus fez promessas a Abraão e à sua descendência (Gênesis 12:1-3). Mas ela também exige um cuidado: Abraão teve outros descendentes além dos israelitas. E Jesus ensinou que descender de Abraão não bastava; era preciso agir de acordo com a fé dele (João 8:39-40). Paulo também explica que a fé, e não somente a origem familiar, é essencial pra receber a bênção prometida a Abraão (Romanos 4).
Filha de Sião é uma maneira poética de falar de Jerusalém ou de seu povo. Sião era o nome ligado à cidade onde ficava o centro da vida religiosa de Israel. Por isso, quando os profetas se dirigem à “filha de Sião”, muitas vezes estão falando aos habitantes de Jerusalém, seja pra anunciar tempos difíceis, seja pra lhes dar esperança (Sofonias 3:14; Zacarias 9:9). Não é outro povo: é uma forma diferente de se dirigir a ele.
Por fim, povo escolhido de Deus destaca a relação especial que Deus estabeleceu com Israel. Ele escolheu esse povo e fez uma aliança com ele, não porque fosse maior ou melhor que os outros, mas por seu amor e por sua promessa aos antepassados deles (Deuteronômio 7:6-8). Essa escolha trazia responsabilidades e fazia parte de um propósito maior: Deus havia prometido abençoar todas as famílias da terra por meio da descendência de Abraão (Gênesis 12:3). Os cristãos entendem que essa promessa encontra seu cumprimento em Jesus Cristo (Gálatas 3:8, 16).
Assim, os nomes não precisam causar confusão. Eles apontam pra aspectos diferentes da mesma história: de onde esse povo veio, como passou a ser conhecido e qual foi seu lugar nas promessas de Deus.