Não dá pra afirmar com certeza o destino de uma pessoa específica só pelo que vimos da vida dela. Podemos conhecer suas palavras e atitudes, mas não sabemos tudo o que aconteceu entre ela e Deus, especialmente nos seus últimos momentos. Deus conhece o coração; nós, não (1 Samuel 16:7).
Isso não quer dizer que a Bíblia nos deixe sem resposta sobre a salvação. Jesus ensinou que a vida eterna vem pela fé nele (João 3:16-18). Não é algo que alguém consiga merecer por ter feito boas obras; é um presente da graça de Deus, recebido pela fé (Efésios 2:8-9). E essa fé normalmente aparece na maneira como a pessoa vive, embora nenhuma vida seja perfeita (Efésios 2:10).
Por isso, há uma diferença importante entre reconhecer sinais de fé e dar uma sentença final. Se alguém dizia confiar em Cristo e procurava segui-lo, temos bons motivos pra ter esperança de que está com Deus. Mas Jesus alertou que até pessoas que parecem religiosas podem não conhecê-lo de verdade (Mateus 7:21-23). Por outro lado, se alguém rejeitava Cristo abertamente, isso é motivo sério de preocupação. Ainda assim, não sabemos se essa pessoa mudou de atitude antes de morrer. O criminoso crucificado ao lado de Jesus se voltou a ele quando sua vida já estava acabando, e Jesus lhe prometeu que estaria com ele no paraíso (Lucas 23:39-43).
Isso pode ser especialmente difícil quando pensamos num familiar ou amigo. É natural querer uma resposta definitiva, mas seria desonesto prometer o que não sabemos — ou declarar uma condenação que não cabe a nós. Podemos falar com sinceridade sobre o que vimos, confiar que Deus julgará com justiça e lembrar que a salvação depende de Cristo.
Quanto aos que ainda estão vivos, podemos fazer mais do que tentar adivinhar seu destino: podemos conversar com eles sobre Jesus e levar a sério, nós mesmos, o convite de confiar nele.