Não. A Bíblia não divide o inferno em três níveis, nem descreve um lugar organizado em andares ou círculos. Ela dá, porém, motivos pra entender que Deus levará em conta o que cada pessoa fez e o conhecimento que ela teve. Por isso, o julgamento não será necessariamente igual pra todos.
Jesus fez comparações que ajudam a entender esse ponto. Ao falar de cidades que tinham ouvido sua mensagem e a rejeitaram, ele disse que, no dia do julgamento, a situação delas seria mais severa que a de outras cidades (Lucas 10:12-14). A diferença não era que umas precisavam de Deus e outras não. Todas precisavam. Mas algumas tinham recebido uma oportunidade maior de conhecer a verdade.
Jesus também contou sobre dois servos que fizeram o que era errado: um conhecia a vontade do seu senhor; o outro não. Na história, o primeiro recebe um castigo mais severo. Em seguida, Jesus ensina que de quem recebeu mais, mais será exigido (Lucas 12:47-48). A comparação fala de responsabilidade, não de um número de níveis no inferno.
Apocalipse 20:11-15 também diz que os mortos são julgados de acordo com suas obras. O texto não explica exatamente como isso afetará a punição de cada um. Por isso, podemos afirmar que Deus julga com justiça e considera o que as pessoas fizeram, mas não podemos montar, a partir dessas passagens, uma tabela de castigos.
Talvez a ideia de níveis venha das representações do inferno na literatura e na arte. A *Divina Comédia*, de Dante, por exemplo, apresenta nove círculos. É uma obra famosa, mas não é uma descrição bíblica.
Então a resposta mais fiel é esta: três níveis, a Bíblia não ensina; diferenças na severidade do julgamento, as palavras de Jesus indicam que sim. O mais importante, porém, não é descobrir qual castigo seria maior ou menor. Jesus nos chama a levar o julgamento a sério e a buscar nele o caminho pra Deus (João 14:6).