Nínive foi a capital da Assíria, um império poderoso que atacou Israel e ameaçou Jerusalém. A cidade ficava onde hoje é o Iraque. Na Bíblia, ela aparece principalmente em dois momentos: primeiro, quando seus moradores dão ouvidos ao aviso de Deus; depois, quando a cidade volta a ser conhecida pela violência e acaba destruída.
O episódio mais conhecido está no livro de Jonas. Deus mandou o profeta ir a Nínive e anunciar que a cidade seria julgada por sua maldade. Jonas não quis ir e tentou fugir, mas Deus o levou de volta à tarefa. Quando finalmente anunciou a mensagem, aconteceu algo surpreendente: os ninivitas levaram o aviso a sério. O povo jejuou, e o rei ordenou que todos abandonassem a violência e buscassem a misericórdia de Deus. Ao ver que mudaram sua conduta, Deus não trouxe a destruição anunciada naquele momento (Jonas 3:1-10).
Isso não significa que a maldade anterior deles não importava. Significa que o aviso de Deus lhes deu a oportunidade de se arrepender. O próprio livro termina mostrando que Deus se importava com as pessoas daquela cidade, embora fossem estrangeiras e inimigas de Israel (Jonas 4:10-11).
Mais tarde, Nínive aparece de outro modo. O rei assírio Senaqueribe voltou pra lá depois de ameaçar Jerusalém e não conseguir tomá-la (2 Reis 19:35-37). Já o profeta Naum anunciou o julgamento da cidade por causa de sua violência, mentiras e saques (Naum 3:1). Nínive foi destruída em 612 a.C. A Bíblia não diz que as pessoas que ouviram Jonas se arrependeram e depois voltaram aos mesmos pecados; entre o relato de Jonas e a queda da cidade, passaram-se gerações.
Jesus também falou dos ninivitas. Ele lembrou que eles se arrependeram ao ouvir a pregação de Jonas e comparou essa reação com a de pessoas que ouviam o próprio Jesus, mas não queriam mudar (Mateus 12:41). O ponto dele era claro: receber um aviso de Deus exige uma resposta, ainda mais quando quem fala é maior do que Jonas.
Por isso, Nínive representa as duas coisas na Bíblia: a misericórdia de Deus com quem se arrepende e seu julgamento contra a maldade que persiste. Sua história mostra que nem mesmo uma cidade conhecida pela violência estava fora do alcance da misericórdia divina — mas também que seu poder não a protegeria para sempre das consequências de seus atos.