Paulo não quis dizer que uma pessoa sem o Espírito Santo seja incapaz de pronunciar as palavras “Jesus é o Senhor”. Qualquer um pode repeti-las. Em 1 Coríntios 12:3, ele está falando de reconhecer Jesus como Senhor de verdade, com fé, e não apenas dizer uma frase.
Pra entender por que Paulo fala disso, vale olhar o contexto. Os cristãos de Corinto tinham dúvidas sobre os dons espirituais — as diferentes maneiras pelas quais o Espírito agia entre eles. Paulo começa lembrando que, antes de conhecerem a Deus, eles seguiam ídolos. Agora, precisavam saber reconhecer o que vinha do Espírito de Deus. Por isso, ele faz um contraste: ninguém falando pelo Espírito amaldiçoa Jesus; e ninguém reconhece sinceramente Jesus como Senhor sem a ação do Espírito (1 Coríntios 12:1-3).
Chamar Jesus de Senhor, nesse sentido, é confiar nele como aquele que morreu e ressuscitou e reconhecer sua autoridade. Não basta acertar as palavras. Paulo mostra essa ligação em Romanos 10:9: ele fala tanto de confessar Jesus como Senhor quanto de crer no coração que Deus o ressuscitou. E Jesus também advertiu que chamá-lo de “Senhor” não é, por si só, prova de que alguém realmente pertence a ele (Mateus 7:21).
Então, o que o Espírito Santo faz? Ele nos ajuda a enxergar quem Jesus é e a responder a ele com fé. Jesus disse que o Espírito o glorificaria, ou seja, ajudaria as pessoas a reconhecer sua grandeza (João 16:14). Por isso, uma confissão sincera de Jesus não é apenas resultado de alguém ter aprendido uma expressão religiosa: é fruto da ação de Deus nessa pessoa.
Isso não significa que todo cristão consiga explicar perfeitamente sua fé ou que nunca tenha dúvidas. Significa que a fé verdadeira em Jesus não nasce simplesmente da capacidade humana de repetir palavras corretas. O ponto de Paulo é que, antes de procurar sinais impressionantes da ação do Espírito, os coríntios precisavam reconhecer algo fundamental: é o Espírito Santo quem os leva a confessar Jesus como Senhor de coração.