Os nicolaítas eram pessoas ligadas a um ensino que Jesus condenou nas igrejas de Éfeso e Pérgamo. A Bíblia não explica quem fundou o grupo nem conta sua história. Ela nos dá, porém, informações suficientes pra entender o problema: em Éfeso, alguns rejeitavam as práticas dos nicolaítas, e Jesus os elogiou por isso (Apocalipse 2:6). Em Pérgamo, havia pessoas que seguiam o ensino deles, e Jesus chamou a igreja ao arrependimento (Apocalipse 2:15-16).
O contexto de Pérgamo ajuda a entender por que esse ensino era tão sério. Pouco antes de mencionar os nicolaítas, Jesus fala de pessoas que seguiam o “ensino de Balaão”. No relato do Antigo Testamento, Balaão está ligado ao episódio em que israelitas foram levados a participar da adoração a outros deuses e a cometer imoralidade sexual (Números 25:1-3; 31:16). Em Apocalipse 2:14-15, Jesus coloca esse ensino e o dos nicolaítas lado a lado. Isso indica uma ligação entre eles, embora o texto não diga exatamente se eram dois nomes pro mesmo ensino ou dois ensinos parecidos.
Também existe uma antiga sugestão de que o nome “nicolaítas” venha de Nicolau, mencionado em Atos 6:5. Não há prova bíblica dessa ligação. Atos apresenta Nicolau entre os homens escolhidos pra servir a igreja, mas não diz que ele criou esse grupo nem que abandonou a fé. Por isso, não seria justo atribuir a ele os erros dos nicolaítas.
Então, a resposta mais segura é esta: não sabemos ao certo quem eram os nicolaítas como grupo, mas sabemos o que importava na advertência de Jesus. Havia um ensino entre os cristãos que abria espaço pra práticas incompatíveis com a fidelidade a Deus, e a igreja não devia aceitá-lo. Jesus elogiou Éfeso por rejeitar essas práticas e corrigiu Pérgamo porque alguns ali seguiam esse ensino. A diferença entre as duas igrejas nos lembra que não basta um ensinamento circular entre cristãos pra que ele esteja de acordo com Cristo; é preciso examinar o que ele ensina e aonde leva.