Neo-evangelicalismo é o nome de um movimento que ganhou força entre cristãos evangélicos nos Estados Unidos, em meados do século XX. Seus participantes queriam continuar defendendo ensinamentos centrais da fé cristã, mas achavam que alguns grupos haviam se isolado demais da sociedade. Queriam anunciar o evangelho e, ao mesmo tempo, participar das conversas sobre educação, cultura e problemas sociais. Um neo-evangélico era alguém ligado a esse movimento.
Pra entender por que surgiu esse nome, vale voltar um pouco. No começo do século XX, muitos protestantes discutiam questões importantes: a Bíblia é confiável? Jesus é realmente Deus? Sua morte foi necessária pra salvar pecadores? Ele ressuscitou? Cristãos que passaram a ser chamados de *fundamentalistas* defendiam essas crenças diante de teólogos que questionavam ou reinterpretavam várias delas.
Mas a diferença entre os grupos não ficou só nas doutrinas. Parte dos fundamentalistas também passou a evitar a cooperação com outros cristãos e a olhar com desconfiança para certos estudos acadêmicos e para a participação em debates públicos. Os neo-evangélicos concordavam que não se devia abandonar os ensinamentos bíblicos. A dúvida deles era outra: ser fiel à Bíblia exigia ficar afastado dessas conversas?
A resposta do movimento foi não. Seus participantes defendiam que cristãos podiam estudar seriamente, responder a críticas e tratar de questões sociais sem deixar de anunciar Cristo. Carl F. H. Henry foi uma das vozes importantes dessa proposta; seu livro *The Uneasy Conscience of Modern Fundamentalism*, publicado em 1947, questionava a pouca atenção dada por parte dos fundamentalistas aos problemas da sociedade. Harold J. Ockenga ajudou a dar nome e direção ao movimento. Billy Graham tornou-se uma de suas figuras públicas mais conhecidas, e a revista *Christianity Today* ajudou a divulgar suas ideias.
A Bíblia não usa o termo “neo-evangelicalismo”, nem apresenta uma regra única pra decidir todas as formas de participação dos cristãos na sociedade. Ela ensina, porém, duas coisas que ajudam a entender a preocupação por trás dessa história: os cristãos devem permanecer fiéis ao ensino recebido (2 Timóteo 1:13-14) e estar preparados pra explicar sua esperança a outras pessoas (1 Pedro 3:15). O desacordo estava, principalmente, em como fazer isso sem comprometer a fé.
Hoje, “neo-evangélico” é mais útil pra falar daquele movimento histórico do que pra identificar uma pessoa. Muitas ideias defendidas por ele se tornaram comuns entre evangélicos que não usam esse nome. Em alguns contextos, o termo ainda aparece como crítica a cristãos considerados abertos demais à cultura ou à cooperação com outros grupos. Por isso, se alguém for chamado de neo-evangélico hoje, é bom perguntar o que a pessoa quis dizer, em vez de presumir que o nome, por si só, explica suas crenças.