Paulo está dizendo que ter liberdade para fazer algo não basta para tornar aquilo uma boa escolha. O cristão também precisa perguntar: “Isso me faz bem? Ajuda outras pessoas? Ou pode acabar me prejudicando e me afastando de uma vida de obediência a Deus?”
Em 1 Coríntios 6:12, Paulo responde à ideia de que alguém poderia fazer o que quisesse. Ele não está dizendo que o pecado passou a ser permitido. O assunto naquele trecho inclui a imoralidade sexual, que ele rejeita claramente nos versículos seguintes. Além disso, Paulo acrescenta outra preocupação: não se deixar dominar por nada. Uma escolha pode parecer expressão de liberdade, mas, se passa a controlar a pessoa, já não é uma escolha livre.
Em 1 Coríntios 10:23, a pergunta vai além do que acontece com quem toma a decisão. Paulo trata de situações relacionadas à comida oferecida a ídolos e mostra que uma atitude permitida pode não ajudar outra pessoa. Por isso, ele orienta os cristãos a não buscarem apenas o próprio interesse, mas também o bem dos outros (1 Coríntios 10:24). Em algumas situações, comer não era o problema; o importante era considerar o efeito daquela decisão sobre quem estivesse junto.
Há, então, duas situações diferentes. Quando a Bíblia chama algo de pecado, a liberdade cristã não serve como desculpa pra praticá-lo. Romanos 6:1-2 deixa claro que receber a graça de Deus não é motivo pra continuar pecando. Já quando a Bíblia não proíbe determinada coisa, ainda vale pensar se ela convém naquela situação: pode ser permitida e, mesmo assim, não fazer bem ou não ajudar ninguém.
É esse o sentido de “nem tudo é benéfico”. Paulo nos ensina a usar a liberdade com responsabilidade: sem nos deixar dominar por nada e levando a sério o bem das pessoas à nossa volta.