Paulo não está dizendo que homens e mulheres deixam de ser diferentes quando seguem Jesus. Ele está dizendo que essa diferença não dá a ninguém uma posição melhor diante de Deus. Homens e mulheres se tornam parte da família de Deus do mesmo jeito: pela fé em Cristo.
O assunto do trecho ajuda a entender isso. Pouco antes, Paulo explica que todos os que creem em Jesus são filhos de Deus pela fé (Gálatas 3:26). Logo depois, diz que quem pertence a Cristo recebe a herança prometida por Deus (Gálatas 3:29). Entre essas duas afirmações, ele menciona judeus e gregos, escravos e pessoas livres, homens e mulheres. Eram diferenças reais na vida das pessoas, mas nenhuma delas decidia quem podia pertencer a Cristo ou receber o que Deus prometeu.
Isso era importante porque alguém poderia pensar que, pra estar mais perto de Deus, precisava ser judeu, ter liberdade ou ser homem. Paulo rejeita essa ideia. Ninguém recebe a salvação por ocupar uma posição considerada superior na sociedade. E ninguém que pertence a Cristo recebe uma salvação menor por ser mulher, estrangeiro ou escravo.
Ao mesmo tempo, Paulo não diz que essas diferenças desaparecem. Uma pessoa judia não deixava de ser judia ao crer em Jesus, assim como uma mulher não deixava de ser mulher. A própria Bíblia diz que Deus criou homem e mulher à sua imagem (Gênesis 1:27). O que muda é o valor que damos a essas diferenças: elas não podem servir de motivo pra considerar um cristão mais digno de Deus do que outro.
Gálatas 3:28 também é lembrado nas conversas sobre as responsabilidades de homens e mulheres na igreja. O versículo afirma com clareza que ambos pertencem igualmente a Cristo e recebem igualmente a promessa de Deus. Mas, sozinho, ele não resolve todas as perguntas sobre funções na igreja. Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia chegam a conclusões diferentes sobre esse assunto ao considerar também outras passagens.
Portanto, o ponto principal de Paulo é simples e profundo: em Cristo, homens e mulheres têm o mesmo acesso a Deus, pertencem à mesma família e devem tratar uns aos outros como pessoas de igual valor.