Paulo não quis dizer que judeus e não judeus deixaram de ser diferentes. Ele quis dizer que essa diferença não decide quem pode pertencer à família de Deus. Tanto um judeu quanto uma pessoa de qualquer outro povo se tornam filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo, não pela sua origem.
Essa era uma questão importante nas igrejas da Galácia. Alguns ensinavam que os não judeus precisavam seguir a Lei de Moisés, incluindo a circuncisão, para fazer parte do povo de Deus. Paulo responde que ninguém é aceito por Deus dessa maneira. É pela fé em Cristo que a pessoa recebe a promessa feita a Abraão (Gálatas 3:7-9, 26-29).
Por isso, logo depois de mencionar judeus e gregos, Paulo fala de escravos e pessoas livres, homens e mulheres. Ele reúne diferenças que tinham grande peso na sociedade daquele tempo para mostrar que nenhuma delas dá a alguém uma posição melhor diante de Deus. Quem pertence a Cristo é considerado descendente de Abraão e herdeiro da promessa, seja qual for sua origem ou condição social (Gálatas 3:28-29). Nesse trecho, “grego” representa quem não era judeu; Paulo não está falando apenas de pessoas nascidas na Grécia.
Então, as diferenças entre as pessoas não desapareceram. O próprio Paulo continua falando de judeus e não judeus em suas cartas. O que mudou é que, em Cristo, nenhuma dessas diferenças impede alguém de receber o que Deus prometeu. Um judeu não está mais perto de Deus por ser judeu; uma mulher, um escravo ou uma pessoa de outro povo não recebe uma promessa menor. Todos dependem do mesmo Salvador e são recebidos pela mesma fé.
É isso que significa serem “um em Cristo”: pessoas diferentes pertencem à mesma família de Deus, com o mesmo acesso a ele e à promessa que fez a Abraão.