Paulo quis dizer que nenhuma das duas condições torna alguém aceitável diante de Deus. Ser circuncidado não salva ninguém; não ser circuncidado também não dá nenhuma vantagem espiritual. O que importa, diz Paulo, é a fé em Cristo que se manifesta no amor (Gálatas 5:6).
Pra entender por que ele precisou dizer isso, é bom lembrar o que estava acontecendo. A circuncisão era um sinal da aliança de Deus com Abraão e seus descendentes (Gênesis 17:10-14). Mas, nas igrejas da Galácia, algumas pessoas queriam exigir que cristãos não judeus fossem circuncidados e obedecessem à Lei de Moisés pra serem aceitos por Deus. Paulo se opôs a essa exigência: ninguém é declarado justo diante de Deus por cumprir a Lei, mas pela fé em Jesus Cristo (Gálatas 2:16).
Isso não quer dizer que a circuncisão nunca teve importância ou que a origem judaica de alguém devesse ser desprezada. O problema era transformar aquele sinal em uma condição pra salvação. Por isso Paulo menciona os dois lados: nem quem foi circuncidado pode confiar nisso, nem quem não foi precisa mudar essa condição pra pertencer a Cristo. Ambos dependem da mesma graça.
A parte final do versículo é igualmente importante. Quando Paulo fala da fé que atua pelo amor, ele não está dizendo que precisamos amar as pessoas pra *conquistar* a salvação. Ele está dizendo que a fé verdadeira não fica só nas palavras: ela aparece na maneira como tratamos os outros. É por isso que, mais adiante, ele ensina os cristãos a servir uns aos outros em amor (Gálatas 5:13-14).
Então a pergunta pra nós não é apenas se cumprimos alguma prática religiosa. É se estamos confiando em Cristo ou tentando merecer a aceitação de Deus pelo que fazemos. Práticas podem ter seu lugar, mas não substituem a fé em Jesus. E essa fé, quando é verdadeira, nos leva a amar.