A primeira coisa é que Deus não é apenas uma versão maior e mais poderosa de nós. Ele é o Criador de tudo, não faz parte da criação e não depende dela pra existir. Por isso, nunca vamos conseguir colocá-lo dentro dos limites da nossa experiência. Ao mesmo tempo, ele não está distante a ponto de ser impossível conhecê-lo: Deus se deu a conhecer nas Escrituras e, de maneira especial, em Jesus Cristo (João 1:18).
A Bíblia diz que há um só Deus (Deuteronômio 6:4). Ela também fala do Pai, do Filho e do Espírito Santo como distintos entre si e divinos (Mateus 28:19; João 1:1; Atos 5:3-4). É isso que os cristãos chamam de *Trindade*: não são três deuses, nem três nomes pra uma pessoa só. É um só Deus, que existe eternamente como Pai, Filho e Espírito Santo. Não é fácil compreender plenamente como isso é possível, mas essas distinções são importantes pra falar de Deus como a Bíblia fala.
Deus é eterno e não está preso ao tempo como nós estamos (Salmo 90:2). Jesus ensinou que Deus é espírito (João 4:24). Isso não quer dizer que ele seja uma força impessoal. Deus conhece, fala, ama e age. Também não quer dizer que Jesus nunca teve um corpo: o Filho de Deus se tornou verdadeiramente humano (João 1:14).
Outro ponto essencial é a santidade de Deus. Dizer que Deus é santo significa que ele é completamente diferente de tudo o que criou e que não há maldade nele. Sua santidade não é apenas um atributo entre outros: tudo o que Deus faz é coerente com quem ele é. Ele ama sem praticar injustiça, julga sem crueldade e exerce seu poder sem fazer o mal. Por isso a Bíblia o apresenta como digno de adoração e, ao mesmo tempo, como aquele diante de quem o pecado não pode ser tratado como algo sem importância (Isaías 6:3; Salmo 145:17).
Deus também tem poder e autoridade sobre sua criação. Ele não precisa pedir permissão pra realizar seus propósitos, e nada está fora do seu conhecimento (Salmo 115:3; Salmo 139:1-4). Isso não significa que entendemos todas as suas decisões. Significa que o mundo não está entregue a um poder maior que ele. E, porque Deus não muda em seu caráter, podemos confiar que ele continuará fiel, justo e bom (Malaquias 3:6; Tiago 1:17).
Talvez a dúvida mais importante seja como a justiça e o amor de Deus se relacionam. Deus ama, mas seu amor não o faz chamar o mal de bem. Deus julga o pecado, mas sua justiça não significa que ele deixou de amar as pessoas. As duas coisas aparecem juntas em Jesus: Deus enviou seu Filho pra salvar pecadores, e Jesus morreu e ressuscitou pra que recebam perdão e vida por meio dele (João 3:16; Romanos 3:23-26; 1 Coríntios 15:3-4).
Então, conhecer a natureza de Deus não é apenas guardar uma lista de qualidades. É entender com quem estamos lidando: o único Deus, eterno e santo, que conhece tudo, tem poder sobre tudo, é justo e ama. E é olhar pra Jesus, porque nele vemos de modo claro como Deus se aproxima de nós sem deixar de ser quem é (João 14:9).