Uma pessoa pode perceber, desde muito cedo, que sente atração por pessoas do mesmo sexo, sem ter escolhido sentir isso. Mas a pergunta “nasceu gay?” pode querer dizer outra coisa: que essa atração já estava totalmente definida no nascimento. Hoje, não há como afirmar isso. A pesquisa indica que a orientação sexual envolve fatores complexos, inclusive biológicos, mas não encontrou um único “gene gay” nem uma explicação que sirva pra todas as pessoas.
Isso também não significa que a atração seja simplesmente uma escolha. Não é justo dizer a alguém que ela sente o que sente porque decidiu sentir, ou atribuir sua orientação à falta de amor dos pais, a abusos ou a uma criação inadequada. Essas explicações não foram estabelecidas como causa da homossexualidade. E não há motivo pra prometer que uma pessoa conseguirá mudar sua orientação se fizer esforço suficiente.
A Bíblia não explica como a atração por pessoas do mesmo sexo surge. Por isso, não devemos usar seus textos como se fossem uma resposta científica sobre o que acontece antes ou depois do nascimento. O que ela trata é de como viver diante de Deus. Na interpretação cristã evangélica tradicional, passagens como Romanos 1:26-27 e 1 Coríntios 6:9-11 ensinam que a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo não corresponde ao propósito de Deus pra sexualidade. Há cristãos que interpretam essas passagens de outra maneira, mas a questão de *como a atração surge* não resolve, por si só, essa discussão bíblica.
Também é importante não confundir sentir atração com decidir como agir. Uma pessoa pode ter sentimentos que não escolheu. Isso não autoriza ninguém a tratá-la com desprezo, nem faz dela alguém menos digno de amor e respeito. Jesus chamou pessoas de todos os tipos pra perto dele, e o evangelho anuncia a graça de Deus a todos nós, não a um grupo de pessoas considerado melhor que os outros (Romanos 5:8).
Então, a resposta mais honesta é: não sabemos afirmar que alguém já nasce com a orientação sexual definida, mas sabemos que ela não pode ser reduzida a uma simples escolha pessoal. E, seja qual for a história de alguém, essa pessoa merece ser ouvida e tratada com respeito enquanto busca compreender sua vida e sua fé.