Paulo usou essa expressão pra mostrar que seu encontro com Jesus ressuscitado foi diferente do encontro dos outros apóstolos — e muito inesperado. Ele não tinha acompanhado Jesus durante seu ministério na terra. Quando Cristo apareceu a Paulo, ele estava perseguindo os cristãos.
O assunto aparece em 1 Coríntios 15. Algumas pessoas na igreja de Corinto diziam que os mortos não ressuscitam. Paulo responde lembrando que Jesus ressuscitou e foi visto por várias pessoas: Pedro, outros discípulos, um grupo de mais de quinhentos irmãos e, por último, pelo próprio Paulo (1 Coríntios 15:3-8). Ao dizer que era “como alguém nascido fora do tempo”, Paulo usa uma imagem de nascimento anormal pra descrever o quanto sua entrada nesse grupo de testemunhas foi fora do comum.
O encontro aconteceu quando ele seguia para Damasco com a intenção de prender seguidores de Jesus. Foi nessa viagem que Cristo ressuscitado lhe apareceu (Atos 9:1-6). Paulo, que antes combatia a igreja, passou a anunciar aquele mesmo Jesus. Por isso, a expressão fala tanto da maneira inesperada como ele foi chamado quanto da surpresa de *ele*, entre todas as pessoas, ter recebido esse chamado.
O próprio Paulo explica por que isso o impressionava tanto. Logo depois, ele diz que não se considerava digno de ser chamado apóstolo, porque havia perseguido a igreja de Deus. Ao mesmo tempo, não duvida de que Deus o chamou: reconhece que tudo o que ele se tornou foi pela graça de Deus (1 Coríntios 15:9-10).
Então Paulo não está dizendo que nasceu literalmente antes da hora, nem que sua experiência foi menos verdadeira que a dos demais. Ele está dizendo, em outras palavras: “Cristo apareceu a mim por último, de um jeito que ninguém esperaria, apesar do que eu havia feito”. A expressão junta essas duas ideias: a surpresa do seu chamado e a gratidão por uma graça que ele sabia não ter merecido.