Jesus disse essas palavras porque, no momento da morte, confiou sua vida ao Pai. Ele estava sofrendo na cruz, mas sabia a quem se entregar. Lucas conta que Jesus clamou ao Pai e, depois disso, morreu (Lucas 23:46).
Jesus usou palavras do Salmo 31:5. Nesse salmo, Davi ora enquanto enfrenta uma situação difícil e entrega sua vida aos cuidados de Deus. Ao fazer dessa oração suas últimas palavras, Jesus mostrou que sua confiança no Pai permanecia até o fim. E foi de propósito que ele disse “Pai”: era a Deus, com quem tinha essa relação, que entregava seu espírito.
Isso não quer dizer que Jesus estivesse apenas repetindo um versículo. Ele estava realmente orando. Na cruz, sofreu de verdade e morreu de verdade. Ao mesmo tempo, sua morte não foi simplesmente algo que aconteceu contra a sua vontade. Jesus havia dito que daria a própria vida e que tinha autoridade pra retomá-la (João 10:17-18). Suas últimas palavras mostram essa entrega consciente, sem diminuir em nada o sofrimento que enfrentou.
Também é importante não tirar da frase mais do que ela diz. “Entrego o meu espírito” fala da entrega de Jesus ao Pai na hora da morte; não explica, por si só, todos os detalhes do que aconteceu entre sua morte e sua ressurreição. O ponto que Lucas deixa claro é a confiança de Jesus no Pai naquele momento.
Essa oração também ajuda o cristão a pensar na própria morte. Estêvão, quando estava sendo morto por causa de sua fé, pediu que Jesus recebesse seu espírito (Atos 7:59). Ele não estava dizendo que a morte não doía ou que não tinha medo. Estava confiando sua vida àquele em quem cria. Na cruz, Jesus fez isso ao dizer: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.”