Porque chamar Jesus de Senhor não é a mesma coisa que confiar nele e viver como seu discípulo. Em Mateus 7:21, Jesus diz que não basta falar com ele de maneira religiosa: é preciso fazer a vontade do Pai. Ele está mostrando que palavras, por mais sinceras que pareçam aos outros, não substituem uma relação verdadeira com Deus.
O que Jesus diz logo em seguida ajuda a entender isso. Algumas pessoas alegarão ter profetizado, expulsado demônios e feito milagres em nome dele. Mesmo assim, Jesus dirá que nunca as conheceu e apontará a prática do mal na vida delas (Mateus 7:22-23). Elas apresentam suas realizações como prova de que pertencem a Jesus. Mas Jesus não julga essa questão pela fama religiosa de alguém, nem pelo que a pessoa afirma ter feito em seu nome.
Isso não quer dizer que somos salvos por conseguir obedecer perfeitamente. No mesmo Sermão da Montanha, Jesus mostra que o pecado não se limita ao que fazemos por fora: ele também aparece nas intenções e nos desejos do coração (Mateus 5:21-28). Ninguém pode se apresentar diante de Deus dizendo que nunca falhou. A salvação é um presente da graça de Deus, recebido pela fé em Cristo, não uma recompensa por obras (Efésios 2:8-9).
Então, por que Jesus fala em *fazer a vontade do Pai*? Porque a fé verdadeira não é só uma palavra que a pessoa diz. A vontade de Deus inclui crer em seu Filho (João 6:40). E quem confia em Jesus não trata seus ensinamentos como algo sem importância. A obediência não compra a salvação; ela é uma consequência de uma vida transformada por Deus (Efésios 2:10). Isso não significa nunca mais pecar, mas significa que não dá pra escolher viver no pecado e, ao mesmo tempo, usar o nome de Jesus como garantia de que tudo está bem.
Jesus também havia alertado sobre falsos profetas que parecem confiáveis, mas podem ser reconhecidos pelo que produzem (Mateus 7:15-20). A advertência de Mateus 7:21, porém, não serve apenas pra avaliar líderes religiosos. Ela nos convida a olhar além das aparências na nossa própria vida.
A resposta, portanto, não é ter medo de pronunciar “Senhor, Senhor”. É não confiar apenas nessa declaração. O caminho é confiar de verdade em Jesus, receber dele o perdão que não conseguimos conquistar e aprender a viver de acordo com a vontade de Deus.