Paulo não estava dando essas ordens aos cristãos. Ele estava repetindo o tipo de proibição que algumas pessoas queriam impor à igreja: não tocar em certas coisas, não comer certos alimentos, não pegar determinados objetos. A dúvida de Paulo era: se os cristãos pertencem a Cristo, por que deveriam se submeter a essas regras como se elas fossem o caminho pra agradar a Deus? (Colossenses 2:20-22).
O contexto ajuda a entender. Havia pessoas dizendo aos cristãos de Colossos o que deviam comer ou beber e quais práticas religiosas precisavam observar. Paulo não explica todos os detalhes do ensino delas, então não dá pra afirmar a que cada uma das três proibições se referia. O ponto principal, porém, é claro: estavam tratando restrições externas como medida de espiritualidade. Paulo diz que essas regras se referem a coisas que acabam com o uso e que são ensinamentos humanos, não exigências de Cristo (Colossenses 2:16, 20-22).
Isso não significa que toda escolha de deixar de comer ou usar algo seja errada. Uma pessoa pode jejuar, evitar uma bebida ou abrir mão de alguma coisa por prudência. O problema começa quando alguém transforma essa escolha em obrigação pra todos, ou passa a pensar que obedecer à regra, por si só, torna a pessoa justa diante de Deus.
Paulo vai além: essas práticas podem até parecer sábias e humildes, mas não conseguem vencer o pecado que está dentro de nós (Colossenses 2:23). Alguém pode cumprir uma longa lista de proibições e ainda ser orgulhoso, invejoso ou cruel. Por isso, Paulo conduz os cristãos de volta a Cristo. É nele que encontram perdão e uma vida nova; é com a ajuda dele que devem lidar com o pecado e aprender a viver de modo agradável a Deus (Colossenses 2:13-15; 3:1-5).
Portanto, Colossenses 2:21 é um alerta contra regras humanas apresentadas como necessárias pra alcançar santidade. Paulo não está dizendo que obedecer a Deus não importa. Ele está dizendo que proibições criadas por pessoas não podem substituir Cristo nem transformar o coração.