Jesus disse isso aos discípulos quando os enviou para anunciar sua mensagem. Ele não escondeu que eles poderiam enfrentar rejeição, ameaças e até a morte. Então, em Mateus 10:28, ensinou que não deveriam temer quem pode matar o corpo, mas não pode matar a alma. Deveriam, antes, temer aquele que pode fazer perecer tanto o corpo como a alma no inferno.
Jesus não estava dizendo que morrer não dói ou que sentir medo é errado. Ele estava mostrando quem tem a palavra final sobre a nossa vida. Uma pessoa pode nos ferir e até nos matar. Mas não pode decidir o nosso destino diante de Deus. Só Deus tem essa autoridade. Por isso, o medo das pessoas não deve nos levar a abandonar Jesus ou a esconder a verdade por vergonha ou ameaça.
Esse “temor” de Deus não significa viver em pânico diante dele. Significa reconhecer sua autoridade e levar a sério o que ele diz. Logo depois, Jesus lembra aos discípulos que Deus se importa até com os pardais e conhece cada detalhe da vida deles. Então acrescenta que eles não precisam ter medo (Mateus 10:29-31). As duas ideias caminham juntas: levar Deus a sério e confiar no seu cuidado.
Isso também não quer dizer que o cristão deva procurar perigo ou agir sem prudência. No mesmo capítulo, Jesus orienta os discípulos a fugir para outra cidade quando forem perseguidos (Mateus 10:23). E, se alguém sofrer por causa da fé, isso não deve ser confundido com sofrer por tratar mal os outros ou por fazer algo errado (1 Pedro 4:15-16).
Em outras palavras, Jesus nos chama a agir com sabedoria, mas sem deixar que o medo mande na nossa consciência. Podemos temer a dor, a rejeição ou a morte; ele sabe que essas coisas são reais. Ainda assim, podemos continuar fiéis, porque nenhuma ameaça humana é maior que a autoridade de Deus nem nos tira do seu cuidado.