Significa não querer ouvir um ensino verdadeiro da Bíblia porque ele contraria o que a pessoa deseja. Paulo explica isso em 2 Timóteo 4:3-4: em vez de aceitar a verdade, algumas pessoas procurarão mestres que digam o que elas querem ouvir.
“Sã doutrina” quer dizer ensino saudável, correto. No contexto da carta, é o ensino fiel às Escrituras e à mensagem de Cristo, não uma opinião religiosa que soa agradável. Pouco antes dessa advertência, Paulo lembra a Timóteo que as Escrituras vêm de Deus e são úteis não só pra ensinar, mas também pra corrigir e preparar as pessoas pra viver bem (2 Timóteo 3:16-17). Por isso, ele manda Timóteo pregar a Palavra, corrigindo e encorajando com paciência (2 Timóteo 4:1-2).
É justamente aí que aparece a dificuldade. Às vezes, a Bíblia mostra que precisamos abandonar uma atitude, mudar de ideia ou reconhecer um erro. Quem não suporta a sã doutrina não quer permitir que a Palavra de Deus faça essa correção. Em vez de perguntar “isso é verdade?”, passa a procurar alguém que confirme aquilo que já decidiu fazer ou acreditar. Essa é a ideia por trás da expressão usada por Paulo sobre querer ouvir apenas o que agrada aos ouvidos.
Isso não significa que toda pessoa que tem dúvidas ou dificuldade pra entender um ensino esteja rejeitando a verdade. Fazer perguntas sinceras é diferente de se recusar a ouvir. O exemplo dos bereanos ajuda a ver a diferença: eles ouviram Paulo com interesse, mas examinaram as Escrituras pra conferir o que ele ensinava (Atos 17:10-11). Não aceitaram algo só porque gostaram, nem rejeitaram só porque era novo.
A advertência de Paulo vale, então, pra quem ensina e pra quem ouve. Quem ensina não deve trocar a mensagem bíblica por aquilo que dá mais aprovação. E quem ouve precisa estar disposto a conferir o ensino nas Escrituras — inclusive quando a resposta não é a que gostaria de receber. Suportar a sã doutrina é deixar que a verdade nos ensine e nos corrija, em vez de escolher apenas as vozes que concordam conosco.