Porque o mal não vence apenas quando alguém nos fere. Ele também ganha espaço quando a ofensa nos leva a agir do mesmo jeito. É isso que Paulo quer evitar em Romanos 12:21: diante do mal, o cristão não deve se entregar à vingança, mas responder fazendo o que é bom.
O contexto deixa isso claro. Paulo fala de pessoas que perseguem, ofendem ou tratam outras injustamente. Ele orienta os cristãos a não retribuírem o mal com o mal, a buscarem a paz sempre que for possível e a não fazerem justiça com as próprias mãos (Romanos 12:14, 17-19). Então ele dá um exemplo bem concreto: se um inimigo estiver com fome ou sede, devemos ajudá-lo (Romanos 12:20). O mandamento do versículo 21 resume esse modo de agir.
Isso não significa chamar o mal de bem, fingir que nada aconteceu ou permanecer numa situação de violência. Paulo já havia dito pra rejeitarmos o que é mau (Romanos 12:9). E, ao dizer que devemos viver em paz com todos *se possível* e *no que depender de nós*, ele reconhece que não podemos controlar a atitude da outra pessoa (Romanos 12:18). Podemos procurar proteção, estabelecer limites e buscar justiça sem agir por vingança.
Jesus mostrou o que isso significa. Quando foi insultado, não respondeu com insultos; quando sofreu, não ameaçou seus agressores. Em vez disso, confiou em Deus, que julga com justiça (1 Pedro 2:23). Sua atitude não tornou a injustiça aceitável. Mostrou que ele não deixaria a maldade dos outros determinar como iria agir.
Então a advertência de Paulo é, ao mesmo tempo, um alerta e um caminho: não deixe que o mal recebido transforme você em alguém que pratica o mal. Confie a Deus o julgamento, faça o que é certo e, quando tiver oportunidade, trate até quem lhe fez mal com a bondade que Cristo ensinou. É assim que vencemos o mal com o bem.