Porque ser tentado não é a mesma coisa que ser levado a pecar por Deus. Tiago 1:13 deixa claro que Deus não tenta ninguém a fazer o mal. Já na oração que Jesus ensinou, pedimos ao Pai que nos proteja quando enfrentamos situações em que podemos ceder ao pecado (Mateus 6:13).
Essa diferença importa. Deus pode permitir que passemos por dificuldades que põem nossa fé à prova, mas nunca tenta nos convencer a pecar. Uma situação difícil pode se tornar ocasião de tentação quando nossos próprios desejos nos levam na direção errada. É por isso que Tiago, logo depois de dizer que Deus não tenta ninguém, fala dos desejos que nos atraem para o pecado (Tiago 1:14).
Então, ao pedir “não nos deixes cair em tentação”, não estamos dizendo: “Deus, por favor, não tente me fazer pecar.” Estamos reconhecendo que precisamos da ajuda dele. Pedimos que nos afaste de situações em que podemos cair e que, quando a tentação vier, nos ajude a resistir. A continuação da oração — o pedido para que Deus nos livre do mal — reforça esse sentido.
Isso não significa que Deus vá nos poupar de toda prova. Jesus ensinou seus discípulos a orar para que não caíssem em tentação justamente quando eles estavam prestes a enfrentar uma hora muito difícil (Lucas 22:40, 46). E 1 Coríntios 10:13 nos assegura que, diante da tentação, Deus é fiel e provê um meio de suportá-la.
Assim, as duas passagens não se contradizem. Deus não é a fonte da tentação para o pecado; ele é aquele a quem podemos pedir ajuda para não ceder a ela.