Deus disse isso pouco antes do dilúvio, quando a violência e a maldade tinham se espalhado pela terra. Ele via o que as pessoas faziam e também o que havia no coração delas. Então anunciou que aquela situação não continuaria indefinidamente: haveria um limite, e viria o julgamento (Gênesis 6:3-7, 11-13).
A palavra traduzida em algumas Bíblias por “contender” é difícil de definir com exatidão. Por isso, outras traduções trazem ideias como “lutar” ou “permanecer”. Não dá pra ter certeza de que o versículo esteja descrevendo, especificamente, o Espírito de Deus tentando convencer cada pessoa a mudar. Mas o sentido da declaração dentro da história é claro: Deus não permitiria que a humanidade continuasse vivendo daquela maneira para sempre, sem enfrentar as consequências.
No mesmo versículo, Deus fala em 120 anos. Há duas explicações principais. Uma entende que esse seria o tempo que faltava até o dilúvio. Nesse caso, Deus estaria anunciando um prazo antes do julgamento. A outra entende que Deus estava limitando a duração da vida humana. Essa segunda explicação tem uma dificuldade: depois do dilúvio, a Bíblia ainda registra pessoas que viveram mais de 120 anos (Gênesis 11:10-26). Por isso, muitos entendem os 120 anos como um prazo ligado ao dilúvio, embora o texto não explique todos os detalhes dessa contagem.
O importante é perceber que o julgamento não veio porque Deus perdeu a paciência por um momento. A Bíblia mostra que ele é paciente; ao falar dos dias de Noé, Pedro também chama atenção pra paciência de Deus enquanto a arca era construída (1 Pedro 3:20). Mas paciência não significa que Deus aprove a maldade, nem que adie o julgamento pra sempre.
Assim, Gênesis 6:3 é ao mesmo tempo uma advertência e um sinal da paciência de Deus: ele dá tempo, mas esse tempo não é ilimitado. Foi isso que aconteceu nos dias de Noé. E é por isso que a Bíblia nos chama a levar a sério a oportunidade de nos voltar pra Deus enquanto ela existe (2 Pedro 3:9; Lucas 13:3).